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Por que você não deve esquecer da avaliação de tornozelo no seu aluno?

O tornozelo está localizado na parte posterior do pé e, na realidade, não é uma única articulação. Ele é um complexo articular e sua principal articulação é formada pela junção da fíbula, tíbia e tálus.

Essa pequena parte do corpo é responsável por sustentar todo nosso peso durante o movimento. Por isso, ele é vulnerável a vários tipos de lesões quando não está com seu funcionamento fisiológico correto. Existem diversas estruturas que servem para estabilização e limitação de movimentos para melhorar a segurança do tornozelo.

Por ser uma articulação com movimentos naturalmente limitados é comum que eles fiquem mais limitados ainda por desequilíbrios. Ou seja, nossos alunos têm necessidade extrema de mobilidade de tornozelo.

Limitações de Movimento no Tornozelo

As limitações naturais de movimento nessa região têm como objetivo manter sua estabilidade, especialmente em suporte monopodal. Em diversas situações diárias o tornozelo é forçado a suportar tanto a energia do corpo quando os efeitos da energia cinética gerada pelo movimento.

Porém, isso não significa que a limitação de movimento pode ser exagerada. Em muitos casos, ela começa a atrapalhar o corpo e deve ser consertada. Mas para conseguir identificar compensações que afetam a região, precisamos fazer uma avaliação de tornozelo.

Articulações do Tornozelo

Nossos alunos raramente estão conscientes de que o tornozelo são várias articulações unidas. Dentre elas, dou destaque a 1 articulação que é importante para a avaliação de tornozelo e da biomecânica do pé. Ao todo, são 26 ossos no membro.

A articulação tíbio-társica tem forma de dobradiça e permite movimentos no plano sagital. Seus principais movimentos são:

  • Dorsiflexão;
  • Flexão plantar.  

Esses costumam ser os mais frequentemente limitados, em especial a dorsiflexão. Portanto, devemos dar uma atenção especial à avaliação desses movimentos em nossos alunos. A falta de mobilidade na região causa consequências graves.

Tornozelo nas Cadeias Musculares

Boa parte da importância da avaliação de tornozelo está relacionada à cadeias musculares. São elas que transformam o corpo numa estrutura interconectada e fazem com que um movimento realizado numa extremidade afete a outra.

Cadeias musculares são um conjunto de músculos que realizam um trajeto quase reto ao longo do corpo. Eles são conectados através da ação de fáscias musculares, tecido conjuntivo e estrutura óssea. Assim, tornam-se responsáveis por transmitir tensões através dessas estruturas.

As linhas de tensão geradas pelas cadeias musculares são essenciais para realizar movimentos. Mas em alguns casos elas também transmitem compensações musculares, fazendo com que a tensão gerada em um ponto da cadeia afete outras estruturas.

As extremidades do corpo são locais de início ou término da transmissão de forças em uma cadeia muscular. O tornozelo possui influência especial sobre a cadeia posterior. Ele começa na planta do pé, passo pelo joelho e quadril e chega até membros superiores seguindo o trajeto abaixo:

  • Fáscia plantar;
  • Flexor dos dedos dos pés;
  • Gastrocnêmio;
  • Sóleo;
  • Isquiotibiais;
  • Ligamento sacrotuberoso;
  • Fáscia toracolombar;
  • Eretores espinhais;
  • Músculos suboccipitais;
  • Músculo occiptal.

Agora que você sabe das musculares que compõem o trajeto da cadeia posterior, imagine as consequências de um movimento compensado do tornozelo.

Métodos de Avaliação de Tornozelo

Avaliar o tornozelo te ajuda a identificar muitas correções necessárias para seu aluno. Para conseguir um diagnóstico eficiente, é importante empregar o método mais adequado para sua prática. Alguns profissionais preferem questionários, outros preferem testes específicos ou uma avaliação funcional.

Considero que a avaliação de tornozelo nunca está completa sem o uso de alguns métodos combinados. Eles nos ajudam a ver o corpo na globalidade e isso é especialmente importante para o tornozelo.

Já sabemos que suas compensações afetam toda a cadeia posterior. Portanto, devemos avaliar como ele está afetando o movimento em outras partes do sistema musculoesquelético.

Questionários

Questionários são bastante comuns na fisioterapia e uma importante parte da avaliação postural. Eles podem ajudar a diagnosticar os sintomas e efeitos da patologia, desequilíbrio ou falta de mobilidade ou estabilidade na vida diária do aluno.

Eles podem ser aplicados pelo fisioterapeuta ou respondidos pelo próprio paciente avaliado.

Só tome cuidado na aplicação dos questionários para perceber quando o aluno está mentindo ou esquecendo algo. Para garantir sua eficiência todas as respostas devem ser tão exatas quanto possível.

CAIT – instrumento de instabilidade de tornozelo de Cumberland

É um questionário desenvolvido para identificar se um indivíduo possui instabilidade funcional do tornozelo e qual é a sua gravidade.

O questionário possui 9 itens com pontuação máxima de 30. As questões inclusas nesse questionário são especialmente focadas em instabilidade, incluindo perguntas como:

  • Tenho dor no meu tornozelo;
  • Meu tornozelo parece instável;
  • Quando faço mudanças rápidas de movimento meu tornozelo fica instável;
  • Outras.

O aluno deve dar uma nota de 0 a 5 para cada tornozelo.

FAAM – medida funcional do pé e tornozelo

Avalia desordens dos membros inferiores como um todo. O instrumento é dividido em atividades da vida diária (AVDs) com 21 itens e esporte, com 8 itens. A pontuação vai de 0 a 4, sendo 0 “não consegue fazer” e 4 “faz sem dificuldade”.

A pontuação máxima é de 84 pontos para AVDs e 32 para esporte. Para avaliar o aluno é preciso transformar a pontuação em porcentagem, quanto mais perto de 100%, menor a quantidade de compensações no tornozelo e membros inferiores.

LEFS – escala funcional da extremidade inferiores

O teste foi criado com base nos conceitos estabelecidos pelo modelo de funcionalidade e incapacidade da OMS. Ele é considerado como um teste específico para membros inferiores, portanto pode ser utilizado para diagnosticar diversas patologias desse segmento.

Avaliação Funcional MIT

No meu método MIT uso uma avaliação funcional exclusiva que permite perceber desequilíbrios de diversas regiões do corpo com uma visão mais global. A avaliação MIT é dinâmica e utiliza exercícios funcionais que imitam movimentos da vida diária.

Ela tem como objetivo entender se o movimento está ruim, regular, bom ou muito bom. Para conseguir realizá-la considerando especificamente o tornozelo, identifique movimentos nos quais um aluno com compensações ou falta de mobilidade teria problema.

Vou dar um exemplo óbvio, o agachamento.

Nesse exercício, a mobilidade de tornozelo é necessária para conseguir agachar profundo sem tirar os tornozelos do chão. Depois de perceber que o aluno está fazendo isso, é importante incluir outros exercícios no protocolo para confirmar suas hipóteses.

Conclusão

O tornozelo é parte importante da cadeia posterior e pode influenciar todo o movimento. Não podemos esquecer do seu papel, mesmo que ele seja uma parte pequena do corpo.

Muitos de nossos alunos nos procuram por causa de problemas de joelho ou quadril sem fazer ideia que o verdadeiro culpado é o tornozelo. É importante que você altere essa realidade através de uma avaliação de tornozelo eficiente.

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