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6 dúvidas que você sempre teve sobre tratamento de joelho

Seu aluno tem dor ou patologias e você está realizando um tratamento de joelho? Então esse artigo é especial para você. Peguei algumas das perguntas mais frequentes feitas para mim nas redes sociais para responder. Dê uma olhadinha e resolve alguns problemas sobre o tratamento.

1. Meu aluno deve usar joelheira?

Durante o tratamento de joelho lidamos com alunos que sentem muita dor. Em alguns casos, eles mesmo escolhem usar joelheiras para resolver o problema momentaneamente.

Muitos profissionais se preocupam com o uso desse acessório por medo de “viciar” e nunca mais conseguir fazer exercícios sem ele.

Realmente, tem pessoas que abusam da joelheira e a colocam desde o momento de acordar. Essa pessoas terão problemas para conseguir realizar exercícios sem ela e você, profissional do movimento, precisa instruí-la a respeito do uso. Mas quando utiliza da maneira certa, a joelheira te ajuda bastante no tratamento de joelho.

Estudos mostram que a joelheira ajuda a diminuir a dor e melhorar a função. Ou seja, você consegue realizar os exercícios de fortalecimento com maior facilidade.

Portanto, o tratamento torna-se mais eficiente e seu aluno consegue livrar-se da joelheira mais cedo.

Podemos recomendar para nossos alunos com dor que utilizem o acessório somente na hora de fazer atividades físicas. No restante do dia o ideal é ficar sem a joelheira.

2. O que fazer na fibrose do tendão patelar pós-cirúrgica?

Depois de uma cirurgia o paciente passa por um processo de cicatrização. O mesmo ocorre em operações do tendão patelar, mas em alguns casos a recuperação não acontece tão bem.

Alguns tecidos danificados podem eliminar substâncias tóxicas que atrasam a cicatrização e geram um processo que chamamos de fibrose.

Quando ocorre a fibrose no tendão patelar geralmente ficamos confusos com o diagnóstico e tratamento. As causas costumam não estar muito claras e muitos profissionais realizam vários testes sem um resultado definitivo.

Para melhorar os resultados do tratamento do joelho avalie com cuidado a função do joelho e comece por corrigir as disfunções.

O desequilíbrio diminui a superfície de contato e pode causar dor. Para a analgesia você pode usar laser e terapia manual, mas também deve corrigir o que causou a fibrose. É possível que existam problemas no plano sagital ou frontal.

3. Qual é a melhor posição para o leg press na academia?

Trabalha em academia e utiliza o leg press para fortalecimento? É um exercício excelente, mas devemos tomar muito cuidado com a posição dos pés. Recomendo realizar o exercício na posição anatômica, com os pés levemente rodados para fora.

Nunca devemos fazer o leg press com os pés juntos porque não é uma posição fisiológica. Ela ativa muito os adutores e rotadores internos. Na verdade, não recomendo realizar qualquer exercício com as pernas juntas fazendo força para dentro. Conhece o agachamento com uma bolinha no meio das pernas? Pare de usar esses exercícios agora mesmo!

Também devemos evitar exercícios com magic circle ou qualquer coisa entre as pernas para fazer força para dentro. O corpo tem tendência de rotação interna e adução, especialmente em mulheres.

Se fortalecermos com movimentos para dentro acabamos aumentando essa tendência. Colocar a bolinha no meio das pernas no agachamento ou realizar leg press com as pernas juntas também diminui a superfície de contato e aumenta a pressão no joelho.

4. O que pode causar a dor medial no joelho?

Para saber exatamente o que está causando a dor medial do joelho precisamos realizar uma avaliação cuidadosa. Quero chamar a atenção aqui para a parte posterior, que muitos esquecem já que a dor está na região medial.

É comum que um desequilíbrio na região posterior do joelho reflita na parte medial do joelho. Por isso, precisamos avaliar o aluno de maneira global. Se você suspeitar que esse é o caso no seu aluno, use exercícios para confirmar a hipótese. É possível que você esteja realizando o tratamento de joelho errado com seu paciente.

5. Paciente com condromalacia patelar pode fazer corrida de rua?

Quando alguém é diagnosticado com condromalacia patelar parece que recebeu uma sentença de morte. Já vi casos nos quais o ortopedista falou: você nunca mais vai poder agachar, correr, jogar futebol ou fazer seu esporte preferido por causa da doença.

O aluno com frequência acredita e deixa de praticar as atividades físicas que mais gosta. Sabe o resultado? Um joelho fraco e com ainda mais dores.

Sim, seu aluno com condromalacia patelar ou dor no joelho pode correr. No entanto, ele precisa de orientação adequada. Para evitar dores, você precisa começar controlando sua evolução.

Uma pessoa que aumenta o volume e intensidade de treino em 20% ou mais em um único mês tem forte predisposição para lesões. A evolução precisa ser gradativa.

Na corrida existe a fase de absorção e propulsão. Na absorção acontece a ação do quadríceps, glúteo, panturrilha e posterior. Um aluno com dor no joelho precisa fortalecer todas essas musculaturas. Nada de fortalecer somente quadríceps, algo que, na realidade, é um sério erro.

Também devemos fortalecer e trabalhar o aluno em todos os três planos de movimento. No plano frontal e transversal, por exemplo, temos ação de abdutores e rotadores externos e musculatura acessória, como Core.

O aluno que está em tratamento de joelho precisa trabalhar força. Se ficar só na analgesia ele nunca vai melhorar sua dor. Para um bom fortalecimento, devemos trabalhar glúteo e quadríceps na proporção de 3 para 1. Fortalecer somente o quadríceps e pouco o glúteo gera desequilíbrio, por isso a ênfase é no glúteo.

Por último, tome cuidado com tênis que tem muito amortecimento. Eles não ajudam na corrida e na verdade geram mais desequilíbrio. Usar um tênis com muito amortecimento no calcanhar, por exemplo, é como correr sobre um bosu.

6. Quando posso aumentar a amplitude do agachamento?

Todos nós amamos agachamento, não é? Por isso, sempre queremos que nosso aluno realize o movimento mais profundo possível. Mas tenha calma, seu paciente com dor no joelho não consegue realizar o agachamento profundo imediatamente.

Para conseguir aumentar a amplitude do movimento precisamos avaliar a dor e capacidade da pessoa de agachar. Isso depende da mobilidade de tornozelo, quadril, estabilidade de lombar e outros. Quer saber mais sobre o agachamento? Então confere meu guia completo do agachamento perfeito.

Conclusão

O tratamento de joelho é um processo longo e complexo. Durante esse período, seu aluno deve estar sob constante avaliação para conseguir evoluir sempre.

Dei algumas dicas bastante específica para os tratamentos, agora é sua vez de se empenhar. Para conseguir oferecer o melhor resultado para seu aluno, invista numa boa avaliação e num tratamento personalizado.

Focamos sempre na dor. Se você tiver dúvida se o seu aluno deve ou não realizar algum exercício faça um teste. Ele sentiu dor ou desconforto? Pode parar e escolher algo menos avançado. O mesmo se aplica à avaliação. Não precisamos realizar testes extremamente dolorosos.

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