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Como Usar a Abordagem Articulação por Articulação na Prática?

Anteriormente, fiz um texto falando sobre o que é abordagem articulação por articulação, agora está na hora de saber como usar a abordagem articulação por articulação.

Sempre quando eu falo que o corpo deve ser avaliado como um organismo global e interconectado você deve pensar em três conceitos:

  • Fáscia;
  • Cadeias musculares;
  • Abordagem articulação por articulação.

Perceba que eles estão bem relacionados. A ideia de fáscia, de que existe um tecido conjuntivo conectando todo o organismo, tem tudo a ver com cadeias musculares.

É a tensão fascial que transmite os desequilíbrios de um músculo a outro através da cadeia. Mas será que essas duas ideias podem ser relacionadas com a abordagem articulação por articulação?

Como Usar a Abordagem Articulação por Articulação?

Para refrescar a memória vou retomar novamente o que é essa abordagem. Ela foi desenvolvida por Gray Cook e Michael Boyle e nela trabalhamos com as articulações como uma pilha de estruturas conectadas.

Um desequilíbrio em uma delas influencia a que está diretamente acima ou abaixo, impactando a próxima e assim por diante. Ao usar a abordagem articulação por articulação consideramos que cada articulação tem uma necessidade primária.

Para conseguir utilizar esse conceito nas suas avaliações e tratamentos é necessário entender que:

  • As articulações alternam suas necessidades primárias. Um local com necessidade de mobilidade será seguido de outro com necessidade de estabilidade e assim em diante;
  • O desequilíbrio em uma articulação altera a que está imediatamente acima ou abaixo.

Geralmente é isso que causa a dor nos nossos pacientes. Quando uma articulação que deveria ser móvel fica rígida, ela força mobilidade na seguinte que, ao ser desviada da sua função, fica com dor.

Necessidades Primárias das Articulações

Deu para entender direitinho o que é a abordagem? Ótimo, então vamos começar a usar a abordagem articulação por articulação na prática. Ela é bem mais simples do que parece.

Para isso, comece pensando que as compensações do corpo nunca ficam contidas somente numa região.

Um quadril imóvel força a lombar e o joelho, que estão próximos, a exagerar seus movimentos. O mesmo acontece com diversas articulações.

A dor resulta do desvio da função de cada estrutura no corpo.

Articulações com necessidade primária de mobilidade em geral tem estruturas estabilizadoras mais fortes. O tornozelo, por exemplo, possui ligamentos que auxiliam a manter sua estabilidade. Por isso, ele está preparado para movimentos em amplitudes maiores sem risco de lesão.

Pelo menos é isso que aconteceria num tornozelo com seu funcionamento fisiológico mantido.

Quando o desequilíbrio acontece, as estruturas de estabilização, que já são mais exacerbadas, ficam em exagero e impedem o movimento.

Assim, teremos um joelho que se mexe mais, mas que não está preparado para isso. Ele não possui estabilidade o suficiente para os movimentos e não aguenta a mobilidade em excesso sem sofrer uma lesão.

Compensações do Pé

Você por acaso trabalha com Pilates? Então já faz ideia da importância do pé em todos os movimentos do nosso corpo.

Quando estamos em bipedestação ele é a base dos movimentos e precisa ter um funcionamento adequado.

As articulações do pé costumam ter uma forte tendência a excesso de mobilidade, por isso sua necessidade primária é a estabilidade.

Exercícios de estabilidade e controle motor são excelentes para eles, mas muitos instrutores simplesmente esquecem de trabalhar o pé.

Avalie seu paciente com cuidado e você perceberá que ele provavelmente tem algum desequilíbrio. Na verdade, boa parte das pessoas têm e isso acontece por causa de hábitos modernos.

Os calçados são alguns dos grandes culpados. Quem você conhece que escolhe sapatos por causa das características anatômicas do pé e da atividade que planeja praticar? Quase ninguém. As mulheres então têm um problema ainda maior, que é o salto. Mas esse não é o assunto desse artigo.

Como resultado dos desequilíbrios do pé, o tornozelo sofre com falta de mobilidade já que precisa compensá-lo.

Compensações de Tornozelo

O tornozelo é outro grande problema de falta de mobilidade. Ele tem uma tendência a ser mais rígido, por isso, sua necessidade primária é de mobilidade e precisamos lembrar disso durante os exercícios.

Assim como os pés, os tornozelos são bastante esquecidos durante as aulas. Seus desequilíbrios podem afetar diversas articulações acima dele, em especial o joelho e o quadril.

Quer provas disso? Avalie a dorsiflexão dessa articulação, ela provavelmente estará limitada em muitos pacientes. Em adultos, a incapacidade de agachar sem tirar os calcanhares do chão também é evidência de falta de mobilidade.

Compensações de Quadril

Já escrevi bastante no blog sobre rigidez torácica e esse é um problema real e frequente em nossos alunos. A vida moderna criou uma situação bastante prejudicial à coluna: o uso de computadores e dispositivos móveis.

Algumas pessoas precisam passar pelo menos 8 horas por dia inclinadas sobre um computador por causa do trabalho. Não é incomum que essa quantidade chegue a 10 ou 12 horas contando o tempo de lazer e descanso.

Como resultado, a torácica e o ombro entram em compensação e suas musculaturas tornam-se tensas. A coluna fica mais rígida e gera compensações a nível de lombar, ombro e cervical.

Conclusão

Fiz aqui um breve resumo das compensações que vemos em algumas regiões ao usar a abordagem articulação por articulação. Viu como ela facilita a compreensão do corpo de maneira global para elaborar o tratamento?

Utilizando seus princípios, você consegue identificar como uma falta de mobilidade de quadril e rigidez torácica se relacionam no quadro de dor lombar, por exemplo. E, obviamente, também consegue melhorar sua aplicação de tratamentos.

Quer aprender mais sobre esse e outros métodos que deixam sua avaliação e aulas bem mais eficientes?

Então dê uma olhada no meu curso MIT, onde ensino a usar a abordagem articulação por articulação junto do Pilates e Funcional.

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