Posted in:

Treinamento Funcional vs. Musculação, qual é melhor?

Quando você passa por uma academia de musculação e vê vários alunos puxando ferro, por acaso você pensa que ali é o lugar perfeito para o treino funcional (TF)? Provavelmente não, certo? Muitos profissionais pensam assim e é um erro muito comum.

Quero que você entenda de uma vez por todas que podemos misturar técnicas sem maiores problemas. Entre elas, a musculação e o funcional combinam muito bem. Continue lendo para entender qual é a melhor dessas técnicas e por que você deve utilizá-las em conjunto.

O que é a musculação?

Basicamente, a musculação é uma modalidade que usa movimentos de segmentos do corpo contra uma resistência para melhorar a função do grupo muscular trabalhado. Ela está no mercado há bastante tempo e até hoje é praticamente sinônimo de academia.

Os praticantes de musculação buscam uma série de benefícios. Entre eles podemos mencionar:

  • Aperfeiçoamento das capacidades físicas;
  • Redução dos níveis de gordura;
  • Aumento de massa muscular;
  • Melhora na densidade óssea;
  • Melhora na resistência do tecido conjuntivo.

Realmente, praticar essa atividade traz todos esses benefícios, mas ela vem se tornando mais polêmica atualmente. Seus exercícios são específicos para certos grupos musculares. Por isso, quando alguém faz um treino de musculação, pode fazer algo só para perna ou só para membros superiores, por exemplo.

Realmente, puxar peso e fazer várias repetições de um exercício para quadríceps leva à hipertrofia do músculo contanto que combinado com uma dieta adequada.

Mas o debate atual não é a respeito das alterações musculares causadas pela prática. O que realmente precisamos saber é: as alterações que ocorrem no corpo o deixam preparado para atividades cotidianas?

A resposta é: provavelmente não. Mesmo sendo exercícios eficientes para aumentar a massa muscular eles não conseguem preparar os movimentos do corpo. O exercício realizado numa máquina de musculação em nada se assemelham ao que fazemos diariamente.

Quais são as principais diferenças com o funcional?

Quem acompanha meu blog já deve conhecer o funcional, mesmo que seja só um pouco. Esse tipo de treinamento é feito considerando padrões de movimento funcional que são réplicas dos movimentos que usamos diariamente. Uma de suas principais diferenças em relação à musculação é o uso de exercícios globais.

Enquanto na musculação buscamos fortalecimento e melhora de condicionamento físico trabalhando um grupo muscular de cada vez, o funcional prefere trabalhar a maior quantidade de grupos possíveis. Fazemos isso por causa de alguns conceitos bastante importantes para a modalidade:

Com tantas diferenças, ficamos com a questão? Será que podemos utilizar o funcional juntamente à musculação? Calma, logo chegarei nessa resposta.

Quando o funcional é a melhor opção?

O funcional é capaz de promover inúmeras adaptações no corpo humano. Através de seus movimentos multiarticulares ele consegue melhorar o controle, estabilidade e coordenação motora. Para isso, faz uso de programação neural para melhorar os movimentos.

Diversos estudos vêm sendo realizados para comprovar a eficiência do TF com diversos públicos, desde indivíduos destreinados até atletas e pessoas lesionadas. Um estudo com 20 mulheres inativas realizou treinamento funcional por 12 semanas com 3 sessões semanais. As alunas passaram por uma fase de adaptação de 4 semanas e específica de 8 semanas.

Após o período de treinamento elas conseguiram reduzir os níveis de gordura corporal e melhorar significativamente suas habilidades funcionais. Porém, não percebeu-se resposta de hipertrofia, apesar de existir treino de força no protocolo aplicado.

O funcional é excelente para nossos alunos, inclusive para quem trabalha com musculação. Ao combinar as duas modalidades conseguimos alcançar o resultado de hipertrofia que algumas pessoas procuram sem precisar abrir mão de movimentos funcionais.

É possível combinar funcional e musculação?

Ao contrário da visão de alguns profissionais que preferem trabalhar com modalidades isoladas, o funcional pode sim ser combinado com musculação e outras técnicas.

Exercícios isolados, como a musculação, nem sempre atingem uma resposta eficiente. Em alguns casos, o aluno alcança a estagnação em pouco tempo e, sem ver resultados, pode até desistir da atividade.

Um estudo com alunos não treinados percebeu que  que os aumentos de secção em fibras tipo II deixaram de acontecer depois de 12 semanas. Para conseguir voltar a obter resultados, foi necessário modificar o tipo de trabalho utilizado com esse grupo.

Por isso é tão eficiente combinar o funcional com a musculação. Ao invés de serem modalidades incompatíveis, eles se completam. O TF, quando bem utilizado, ajuda o aluno de musculação a melhorar seus resultados, conseguir melhor hipertrofia e ainda melhorar sua qualidade de vida.

Ele também serve como trabalho para prevenção de lesões, não parece uma boa ideia?

Como começar a utilizar o funcional na musculação?

Certamente você quer inserir exercícios funcionais na musculação para melhorar os resultados, certo? Portanto, comece analisando as atividades motoras desse seu aluno para avaliar o que precisa ser melhorado. Não se preocupe, todos possuem vários desequilíbrios de movimento e podemos corrigi-los aos poucos.

O primeiro passo para implementar o TF na musculação é através de uma boa avaliação. Depois de saber os problemas de movimento, defina quais são os movimentos do dia-a-dia que esse aluno utiliza. Eles variam de acordo com a atividade profissional e de lazer de cada um, então faça uma boa anamnese também.

Por último você deve determinar quais são os pré-requisitos para aplicar o funcional no local de musculação. Muita gente desiste de misturar as modalidades porque não tem acessórios funcionais na academia.

Tenho boas notícias para você, não precisa ter vários acessórios! A maioria dos exercícios pode ser feita somente com um colchonete. É claro que ter uma Fitness e algumas faixas elásticas ajuda, mas nada é obrigatório.

Agora que você tem a avaliação do aluno em mãos e já sabe onde e como aplicar os exercícios, determina em qual fase do treinamento eles devem ser utilizados. Novamente, isso varia. Depende bastante do objetivo do seu aluno e da periodização que você utiliza. Esses são os primeiros passos básicos.

Conclusão

O objetivo da musculação é melhorar a força e função muscular do aluno. Para isso, precisamos trabalhar principalmente com fibras musculares de tipo II.

Infelizmente, muitos instrutores de musculação escolhem avaliar o corpo em fibras vermelhas e brancas, ao invés de por tipo. Isso é um problema já que divide o treino em fases aeróbias e anaeróbias que nem sempre ajudam a alcançar o objetivo do aluno.

Ao aplicar o treinamento funcional conseguimos trabalhar melhor as fibras de tipo II, especialmente quando combinado com a musculação. Tome cuidado para não deixar seu aluno realizar os movimentos muito devagar. Alguns consideram que os exercícios sem equipamentos são uma espécie de descanso e tendem a realizá-los de forma lenta.

Os exercícios rápidos são mais eficientes no tipo de trabalho que buscamos ao combinar TF e musculação. Quando realizados de forma rápida, exercícios funcionais promovem mais lesão muscular e levam a uma maior hipertrofia. A variação na velocidade de execução também é melhorar:

  • Capacidades físicas;
  • Qualidade de vida.

Tente incluir uma boa quantidade de exercícios funcionais explosivos. De acordo com o livro Treinamento Funcional na Musculação, de Luís Claudio Bossi, eles conseguem melhorar em 11% a força isométrica máxima e 37% na ativação de nervos motores. O resultado é ainda mais considerável ao combiná-los a exercícios com carga de 80% a 100% de carga máxima.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *