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Como fazer o tratamento da síndrome do impacto do ombro

como tratar a síndrome do impacto do ombro

São tantas patologias do ombro que aparecem em nosso Studio que às vezes fica difícil trabalhar com cada um. Para piorar nossas situação, o quadro de cada aluno varia, fazendo com que precisemos criar um tratamento individualizado para ter resultado. Isso é especialmente verdadeiro quando falamos em síndrome do impacto do ombro.

Esse quadro doloroso é completamente limitante para o aluno e, quando grave, pode exigir cirurgia. Como profissionais do movimento devemos sempre conhecer o melhor caminho para tratar e garantir o retorno às atividades diárias. Confira esse guia para tratar a síndrome do impacto do ombro e comece a aplicar na sua aula hoje mesmo.

O que é síndrome do impacto do ombro?

o que é síndrome do impacto do ombro

Já vou começar avisando: essa síndrome é bastante comum, especialmente na terceira idade ou em atletas. Você eventualmente acabará encontrando uma ou mais pessoas que sofrem dela na sua vida profissional. E isso se já não encontrou.

A síndrome do impacto é um nome um pouco genérico. Usamos ele para caracterizar um conjunto de alterações que acontecem no complexo do ombro. Essas alterações são causadas por inflamações no complexo que, sem ser tratadas ou sem tratamento correto, acabam gerando alterações.

Quem porta a síndrome do impacto do ombro sente dor na região, prejudicando seus movimentos funcionais. Os movimentos de alta amplitude ou acima da cabeça são especialmente afetados.

Para entender bem a síndrome, lembre-se um pouco do complexo do ombro. Ele é um conjunto de articulações que realiza os movimentos de maior amplitude em todo o corpo. Por isso o complexo também é um dos mais instáveis em todo o corpo.

Existem ligamentos, bursas e estruturas ósseas que devem manter o ombro estável, porém elas não são o suficiente. Por isso o ombro exige muito de suas musculaturas para manter a estabilidade. Além da estabilidade, as musculaturas são responsáveis por uma característica importante para essa patologia: o espaço subacromial.

É nessa região que existem os tendões do manguito rotador. Esse conjunto de musculaturas, quando bem fortalecida e trabalho de maneira funcional, estabiliza o complexo do ombro e evita lesões. Porém com musculaturas enfraquecidas e desequilibradas é possível que o espaço subacromial fique diminuído.

Assim, nosso aluno sofre uma irritação dos tendões do manguito, que consequentemente se torna uma inflamação. Essa tendinite gera dor aguda e também alterações nas próprias estruturas articulares. Algumas vezes é até necessário acontecer intervenção cirúrgica para o tratamento.

Causas da síndrome do impacto

causas da síndrome do impacto do ombro

Existem diversas fatores que levam um aluno a desenvolver a síndrome do impacto do ombro. Os principais deles são as alterações biomecânicas do acrômio, sobre as quais falaremos mais adiante.

Entre as possíveis causas temos:

  • Instabilidade do complexo do ombro;
  • Alterações do acrômio;
  • Degeneração de estruturas do ombro;
  • Inflamações causadas por movimentos repetitivos;
  • Fraqueza muscular no manguito rotador.

Note que existem diversas situações que podem levar a uma síndrome do impacto do ombro. Não podemos simplesmente concluir que o aluno está com músculos do manguito fracos, por exemplo. Precisaremos excluir todas as outras possibilidades para conseguir realizar um tratamento realmente eficaz.

Processos degenerativos que acontecem no ombro podem muito bem ser os causadores. Na verdade, qualquer outra patologia que diminua o espaço subacromial ou aumente o impacto entre as estruturas articulares pode levar a isso.

No caso de encontrarmos um aluno que foi diagnosticado com síndrome do impacto causada por uma doença degenerativa, precisaremos tratar ambos. Um exemplo são as artroses, muitas vezes aliadas à síndrome. Nesses alunos você precisará realizar o tratamento para impedir que a artrose piore para posteriormente tratar o ombro. Também será importantíssimo aliviar a dor, caso contrário fica impossível de trabalhar com o paciente.

Grupo de risco

Existem alguns pacientes ou alunos com maior probabilidade de desenvolver síndrome do impacto do ombro. Entre eles encontramos:

  • Pacientes com doenças degenerativas que afetam as estruturas articulares;
  • Atletas, especialmente aqueles que movimentam o ombro em grandes amplitudes;
  • Pessoas que trabalham com movimento repetitivos que envolvem o ombro.

É claro que essas pessoas não desenvolverão a síndrome necessariamente. Eu posso muito bem encontrar um tenista que nunca teve dor no ombro. O que costuma determinar se ele vai ou não ter o problema é o fortalecimento dos músculos do manguito. No caso de atletas, um bom trabalho de prevenção deve ser o suficiente para manter a articulação saudável.

Porém se alguém que se encaixe nesses grupos já tiver disfunções no ombro ou musculaturas é possível que a patologia surja. Se você trabalha com atletas como tenistas ou jogadores de vôlei o ideal é fazer um trabalho preventivo.

Ele deve te ajudar a garantir que eles não precisarão parar suas atividades por causa da síndrome do impacto. E também ajuda a evitar outras lesões do ombro, que são comuns em qualquer um que treina a região com intensidade.

Alterações biomecânicas do acrômio

alterações biomecânicas do acrômio na síndrome do impacto do ombro

Boa parte dos alunos com síndrome do impacto também possuem algum tipo de alteração no acrômio. Um estudo em cadáveres identificou uma associação entre os tipos de acrômio e incidência da patologia. Para entender como isso influencia na patologia, precisaremos relembrar quais são os tipos que existem:

  • Reto;
  • Curvo;
  • Enganchado.

Dependendo do formato do acrômio gera impactos maiores no manguito. Com o tempo esse impacto gear lesões ou inflamação no manguito. Como já sabemos, o resultado é dor e o desenvolvimento da síndrome do impacto do ombro.

Para saber qual tipo de acrômio deixa seu paciente mais em risco preste atenção nisso: quanto mais curvo for o acrômio, maior a probabilidade de desenvolver a patologia. Os acrômios curvos ou enganchados geram mais impacto no manguito rotador.

Além disso, essa curvatura do acrômio também diminui o espaço subacromial. Portanto, os tendões do manguito rotador ficarão mais propensos a desenvolver uma inflamação quando existir um desequilíbrio no ombro.

Podemos identificar o formato do acrômio através de exames de imagem. Quanto a isso não existe nada que possamos fazer como profissionais do movimento. Mas somos capazes de fortalecer o complexo do ombro e corrigir seus movimentos. Assim as probabilidades de desenvolver ou piorar a patologia diminuem.

Fases da síndrome do impacto do ombro

O tratamento da síndrome do impacto varia de acordo com sua evolução. Por ser uma patologia degenerativa, a síndrome piora progressivamente. O que começou como inflamação pode torna-se lesões e até rupturas totais nos tendões.

  • Fase I: nessa fase o aluno sente dor aguda. Quando a patologia está relacionada a uso excessivo do membro superior também pode existir edema e hemorragia local. Nessa fase a dor cessa com o repouso e muitas vezes não é preciso realizar tratamento ou intervenção.
  • Fase II: o processo inflamatório na articulação fica mais evidente. Isso leva a fibrose na Bursa subacromial, que torna-se mais espessa. Devido ao espessamento da Bursa, o espaço subacromial diminui ainda mais, piorando o impacto sobre os tendões. Nessa fase surge a tendinite no manguito rotador.
  • Fase III: a fase III é a mais grave. Devido ao impacto excessivo sobre os tendões do manguito rotador começam a surgir lacerações. Alterações ósseas também surgem nessa fase, outra vez servindo para piorar o quadro.

Durante a primeira fase muitas vezes só precisamos aliviar a dor e incentivar o repouso até cessar a dor aguda. Quando o aluno passar o período de dor poderemos utilizar exercícios que fortaleçam o manguito rotador e outras estruturas do ombro.

Já nas outras fases precisaremos também lidar com as compensações biomecânicas geradas e também com a inflamação. No caso da terceira fase é possível que o aluno precise de intervenção cirúrgica. Isso será determinado pelo médico responsável, mas ainda tem a ver com os profissionais do movimento.

Nós seremos responsáveis pela reabilitação no pós-operatório, também falarei sobre isso mais a frente.

Importância do tratamento conservador na síndrome

Mencionei anteriormente que fraqueza nas musculaturas do manguito rotador estão entre as causadoras da síndrome. Aí está nosso primeiro papel com o movimento: fortalecer as estruturas musculares do complexo do ombro.

Com o manguito rotador fraco ou pouco ativado o úmero será incapaz de manter sua posição. Ele ficará superiorizado em relação ao restante da articulação, levando a um impacto maior sobre as estruturas do manguito.

Também aliaremos esse fortalecimento a medidas analgésicas, especialmente para alunos com dor aguda. O alívio da dor sempre será nossa prioridade. Fique sabendo: é possível tratar alunos com síndrome do impacto, mesmo que existam rupturas. O aluno só precisará fazer cirurgia caso o médico determine ou o tratamento conservador não dê resultado.

Existem diversas vantagens de usar o tratamento conservador, como a fisioterapia ou Pilates, para tratar esses pacientes. Eles poderão aos poucos voltar a ter confiança para se movimentar, apesar das limitações funcionais da patologia.

A reeducação dos movimentos também ajudará a evitar futuras patologias ou quadros de dor. Conseguimos através do movimento em aula ensinar o aluno padrões funcionais que mantém a articulação saudável. Por usarmos exercícios transferíveis eles conseguirão aplicar o que aprenderam em aula em sua vida diária.

Isso faz com que métodos como a fisioterapia e o Pilates tenham uma vantagem sobre outros tipos de fortalecimento, como a musculação. Não estamos simplesmente deixando a musculatura do manguito rotador mais forte. Estamos ensinando esse aluno a se mover, mesmo quando não estivermos presentes.

Como avaliar um aluno com síndrome do impacto

Antes de qualquer coisa, precisaremos de uma avaliação e diagnósticos detalhados desse aluno. Com essas informações conseguimos entender em qual fase de evolução da patologia ele se encontra. Também seremos capazes de aplicar o melhor tratamento para esse aluno específico.

Para isso você poderá utilizar alguns exames de imagem, como:

  • Ultrassonografia;
  • Tomografia;
  • Ressonância nuclear magnética.

Só com os resultados desses exames eu consigo aplicar um tratamento eficaz? Certamente não. O aluno também apresentará algumas alterações impossíveis de ver nos exames. Outro problema serão os pontos de tensão na musculatura e desequilíbrios de movimento.

Durante sua avaliação física você precisará muito do toque para identificar algumas características como:

  • Limites dos movimentos funcionais;
  • Movimentos que mais causam dor e desconforto ao aluno;
  • Movimentos das escápulas alterados;
  • Grau de força muscular.

Deveremos usar todos os movimentos possíveis no complexo do ombro (flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna, rotação externa). Também avaliaremos os movimentos das escápulas, que costumam estar desequilibrados em quem apresenta a síndrome.

Na hora de realizar os testes use o ombro não sintomático como comparação. Assim você poderá decidir o grau de limitação desse aluno de acordo com um ombro não patológico. Isso também deixa mais fácil a avaliação da força muscular, mesmo em alunos sedentários e idosos.

Lembre-se sempre de fazer a avaliação de todos as estruturas relacionadas ao ombro. Como o corpo está interligado um grande desequilíbrio como a síndrome do impacto tende a se espalhar. Caso existam compensações ou desequilíbrios em outras regiões (e existirão) você também deverá corrigi-las no tratamento.

Como fazer o tratamento da síndrome do impacto do ombro

Durante sua avaliação você deve ter identificado o local principal acometido pela dor e também sua origem. Guarde bem essas informações porque elas serão essenciais na fase inicial do tratamento.

Sempre começaremos a tratar nosso paciente com medidas analgésicas. A dor é seu problema mais imediato e preocupante, é o que limita mais seus movimentos. Enquanto ela estiver instalada nesse ombro não conseguiremos fortalecer ou mobilizar a estrutura. Existem diversos métodos que podemos usar como:

  • Acupuntura;
  • Dry needling;
  • Crioterapia.

O médico responsável pelo paciente também pode prescrever analgésicos que ajudam a aliviar a dor. O uso de remédios para esse fim não quer dizer que podemos pular essa parte do tratamento, é só um aliado. Ainda precisamos preparar o corpo para os movimentos que estão por vir.

Muita gente me pede:

Keyner, preciso de exercícios para meu aluno com síndrome do impacto.

Infelizmente, é impossível passar uma listinha de exercícios que devemos usar com esses alunos. As alterações geradas no corpo de cada um diferem bastante. Assim, você precisará montar um programa de exercícios individualizado para cada paciente com a patologia.

Determine cuidadosamente as musculaturas que deve trabalhar. Como inicialmente o manguito rotador estará bastante enfraquecido, esse será um dos focos do seu tratamento. Conforme o aluno evoluir o quadro de dor deve aliviar. Nessa hora também precisaremos começar a reeducar esse corpo desequilibrado para o movimento.

Falando de uma maneira bem geral, teremos alguns objetivos no tratamento da síndrome do impacto do ombro:

  • Aliviar o quadro de dor;
  • Ganhar amplitude de movimento;
  • Melhorar a força muscular.

Reeducação do paciente

Durante o tratamento o aluno precisará aprender maneiras de se mover e se comportar que evitem o retorno daquela condição. Faremos isso tanto através de exercícios funcionais quanto através de orientação.

Continue a avaliar seu aluno, mesmo quando a dor já estiver menos frequentes. Precisaremos saber quais padrões errados de movimento ele adota que podem fazer com que o desconforto volte. A partir desse conhecimento você precisará utilizar movimentos para ensiná-lo para se mover. Parece simples, não?

Muitos pacientes também precisarão de um trabalho de estabilidade e mobilidade importantes no complexo do ombro. A estabilidade estará praticamente completamente perdida já que o complexo perde o suporte do manguito rotador.

Os exercícios de estabilidade de ombro terão um papel tanto na reabilitação quanto na prevenção. Eles devem ser mantidos mesmo depois que o aluno estiver reabilitado da patologia.

A mobilidade também será importante, mesmo em um ombro completamente instável. Como a dor é limitante nosso aluno evitará se mover em amplitudes altas de movimento por medo. Devemos aos poucos recuperar sua amplitude de movimento para evitar que a articulação ganhe rigidez.

Retorno às atividades diárias ou esportivas

No início da reabilitação encontraremos um aluno que deixou muitas de suas atividades usuais por causa da dor. Encontramos muitos atletas que pararam de treinar ou pessoas que deixaram de ir à academia por isso. Pode até ser uma dona de casa que não guarda mais coisas nos armários altos porque não conseguirá alcançar.

Bem, precisamos eventualmente devolver os movimentos perdidos para esses pacientes. Também será uma de nossas responsabilidades ajuda-los a voltar a suas atividades anteriores. Para isso você pode e deve aproveitar de movimentos específicos que sejam transferíveis para essas atividades.

Aqui temos um amplo repertório para uso em aula no Treinamento Funcional e no Pilates. Esses exercícios também servirão para fortalecer e dar mobilidade à articulação.

Musculaturas importantes na reabilitação

Acabei de falar que não vou dar um protocolo pronto para os pacientes com síndrome do impacto e realmente não vou. O que posso fazer é dar sugestões e indicar os principais músculos que precisaremos trabalhar nessa patologia.

Graças à dor o aluno evitará os movimentos com o complexo do ombro. Isso fará com que algumas musculaturas fiquem enfraquecidas. Preste atenção nos seguintes músculos durante o tratamento:

  • Serrátil;
  • Fibras inferiores do trapézio;
  • Peitoral menor;
  • Bíceps.

O bíceps será importante para diversos movimentos funcionais que estarão prejudicados no seu aluno. Ele é responsável pela flexão e pronação do cotovelo, portanto se contrai em diversas atividades diárias. Você encontrará diversos exercícios do funcional e do Pilates que trabalham esse músculo.

O bíceps e o supra espinhal são dois músculos bastante afetados nos casos de síndrome do impacto do ombro.

Falei também sobre o trabalho do serrátil especialmente por causa do seu trabalho das escápulas. Ele ajuda a harmonizar o ritmo das escápulas, que normalmente está alterado em quem tem a síndrome do impacto.

Quanto às outras musculaturas, todos estão envolvidos em movimentos do ombro. Eles costumam estar tensionados ou enfraquecidos em casos onde o aluno apresenta dor no ombro.

Só um aviso: você precisará dar atenção especial a essas musculaturas, mas não somente a elas. Dê preferência a um trabalho global no corpo do seu aluno de maneira que consiga corrigir o maior número de desequilíbrios possível.

Quer um exemplo? Quando o serrátil está disfuncional também encontraremos tensão no trapézio, especialmente em pacientes com dor no ombro. Os oblíquos também precisarão ser trabalhados para realmente ter um serrátil funcional. O trabalho dessas duas musculaturas é uma soma de forças para fazer o movimento.

Ou seja, sem os oblíquos teremos um serrátil mais fraco.

Cirurgia na síndrome do impacto do ombro

Geralmente o paciente só realiza cirurgia quando seu quadro continua inalterado mesmo depois de meses de tratamento. A cirurgia pode acontecer de diversas maneiras e tem como objetivo desobstruir o espaço subacromial e realizar correções mecânicas.

Após a cirurgia o aluno ainda precisará do auxílio do fisioterapeuta. Ele precisará recuperar sua amplitude de movimentos, sempre tentando evitar a rigidez da articulação. Porém, esse será um aluno especial. O fisioterapeuta precisará trabalhar em conjunto com o médico para garantir que está trabalhando bem com a articulação.

É importante seguir estritamente as limitações desse aluno, especialmente nos dias ou semanas logo após a operação. O paciente pode e deve começar logo seu acompanhamento fisioterápico. Só tome cuidado com movimentos mais bruscos ou com amplitude elevada no início.

Não podemos abusar do complexo do ombro durante a recuperação do paciente. Sempre evite movimentos arriscados ou dolorosos.

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