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Principais tipos de ponto gatilho e como identificá-los

Dor muscular, tensão excessiva e encurtamento do músculo? Esses sintomas são muito parecidos com os problemas causados por pequenos pontos irritáveis que se encontram nos tecidos musculares ou fáscias. Os diversos tipos de ponto gatilho são um problema bastante comum nos pacientes que precisamos aprender a identificar.

Quer descobrir os principais tipos e como eles podem ser encontrados na musculatura? Continue lendo e aprenda tudo sobre eles!

O que são pontos gatilho?

Nesse artigo trabalharei principalmente com o conceito de ponto gatilho miofascial. Portanto, estamos falando de um pequeno nódulo que surge nas fáscias, tecidos musculares ou tendões. Esse nódulo é um sinal de irritação que tenciona a região e também a musculatura próxima.

O principal sintoma do ponto gatilho é a dor, que pode ser localizada ou irradiar para outras regiões. Tudo depende do tipo de ponto gatilho que encontramos na região, mas falaremos mais a respeito disso depois.

Os pontos são algumas das principais causas de dor musculoesquelética, portanto, precisamos ficar atentos. Além de causar dor, eles também aumentam a quantidade de íons de substâncias nocivas para a musculatura que em tecidos saudáveis seria eliminada. Isso acontece porque a tensão muscular exagerada diminui o fluxo de sangue, impedindo a eliminação de resíduos tóxicos do metabolismo das células e sua recuperação.

É comum que os pontos gatilho piorem o quadro de patologias que já causam dor. Por causa de sua existência, a musculatura contrai e torna o paciente ainda mais difícil de trabalhar. Ele também gera perda de mobilidade e rigidez local.

O pior de tudo é: quase todos os nossos pacientes têm pontos gatilho. Na verdade, quase toda a população sofre com o problema de vez em quando, mas pessoas lesionadas ou com patologias estão mais sujeitas a eles.

Antes de iniciar o tratamento precisamos encontrar e liberar todos os tipos de ponto gatilho para conseguir resultados no alívio da dor.

Tipos de ponto gatilho

Calma, você não vai conseguir sair por aí liberando pontos gatilho se não compreender que existem diversos tipos. Cada um deles apresenta sintomas um pouquinho diferentes e deve ser trabalhado cuidadosamente. Quer melhorar a situação do seu paciente? Então continue lendo para aprender.

Ponto gatilho miofascial

Esse tipo de ponto gatilho é definido como uma pequena área circular hiper irritável que está localizada numa banda de músculo esquelético ou na fáscia. O ponto é doloroso e também pode causar dor irradiada.

Quando existe um ponto gatilho miofascial teremos também um grupo de fibras musculares contraídas ao longo no músculo. Esse grupo de fibras é diferente de um espasmo muscular porque não sofre ativação pelo motoneurônio ou atividade elétrica que façam com que o músculo permanece contraído.

A contração muscular causada pelo ponto gatilho acontece principalmente pela presença de íons de cálcio nas fibras. Estima-se que o trauma gerador do ponto abre o retículo sarcoplasmático da célula, causando a liberação do cálcio.

Os íons de cálcio combinam-se com ATP e ativam os mecanismos locais de contração de forma contínua. Isso também faz com que o feixe muscular afetado torne-se encurtado. Além disso, a musculatura afetada tem sua microcirculação prejudicada e aumenta seu gasto energético.

Ponto gatilho ativo

O ponto gatilho ativo provoca dor aguda na região afetada. Um indivíduo com esse tipo de ponto gatilho, além de sentir dor, também tem o músculo encurtado e enfraquecido por sua incapacidade de contrair e relaxar.

Para conseguir identificá-lo basta comparar a força muscular e o alongamento. Além disso, se pressionarmos o ponto o paciente sentirá dor na área referida. Ele é um dos mais fáceis de encontrar por causar dor constante.

Ao iniciar o tratamento de um paciente lesionado ou com patologias, a liberação dos pontos ativos ajuda a encontrar um alívio imediato da dor.

Ponto gatilho latente

Diferente do ativo, esse tipo de ponto gatilho não provoca dor continuamente. Ele fica oculto na musculatura, gerando o acúmulo de cálcio e contratura muscular, mas é mais difícil de identificar porque não demonstra seus sintomas com clareza.

Os pontos latentes causam dor local ou na região de referência quando são pressionados e podem ser encontrados ao procurar por regiões tensionadas no músculo.

Ponto gatilho central

Nos tópicos anteriores, identificados o tipo de ponto gatilho pela presença ou não de dor. Porém, ele também pode ser dividido em tipos de acordo com sua localização. Os centrais, por exemplo, estão localizados no centro da fibra muscular, como seu nome indica. Ele é associado às placas terminais disfuncionais.

Ponto gatilho de inserção

Esse tipo de ponto gatilho está localizado na zona de inserção do músculo.

Ponto gatilho primário ou principal

Nesse caso, estamos identificando o tipo de ponto gatilho de acordo com sua ativação. O primário é aquele que surge por causa de um trauma, sobrecarga ou overuse muscular. Além de ser o primeiro a surgiu na musculatura, o ponto primário também gera pontos gatilho satélite.

Ponto gatilho satélite

Onde existe um ponto gatilho sempre há a possibilidade de surgir um novo. Esse é o ponto gatilho satélite, que surge por causa da interação com o ponto principal.

Características comuns dos pontos gatilho

Apesar de serem diferentes em características como localização, formação e tipo de dor, os pontos gatilho ainda são bastante similares. Listarei aqui alguns sintomas que são comuns a todos eles e que devem ser observados na hora de identificar os pontos miofasciais que prejudicam seu paciente.

  • Presença de banda muscular tensa;
  • Nódulo sensível ao toque (mesmo em pontos latentes, basta apertar que a pessoa sente dor);
  • Aumento da temperatura local por causa da inflamação;
  • Sinais sensoriais referidos;
  • Diminuição de ADM;
  • Contração dolorosa;
  • Sensação de fraqueza muscular;
  • Referência na região distal, medial ou em ambas as regiões.

Utilize esses sintomas para ter certeza que está observando um ponto gatilho na musculatura do indivíduo e para começar a realizar a liberação.

Conclusão

Os pontos gatilho são grande vilões no tratamento de patologias musculoesqueléticas. Além de causar dor, eles também diminuem a eficiência do músculo por mantê-lo contraído e aumentar seu gasto energético. O processo inflamatório e compensatório iniciado por um ponto gatilho precisa ser contido para que a patologia ou lesão seja resolvida.

Por isso, procure cuidadosamente os pontos gatilho nos seus alunos, mesmo que eles não apresentem dor. Depois, chega a hora de realizar a liberação dos mesmos. Para aprender quais técnicas você pode utilizar na liberação de pontos gatilho, recomendo visitar meu outro artigo sobre o assunto.

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