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6 Testes Funcionais Para Avaliar o Quadril do Seu Aluno

Quem acompanha meu blog já percebeu a ênfase que dou na avaliação de um paciente. Sem ela, somos incapazes de recomendar os exercícios mais adequados e ajudar o aluno a se recuperar rapidamente. Existem até casos nos quais a falta de avaliação é a culpada por uma reabilitação sem sucesso. No caso do quadril, conseguimos avaliar através de ótimos testes funcionais. Recomendo nesse artigo 6 testes funcionais que te ajudam a determinar o problema e prescrever o melhor tratamento para o aluno.

Testes Funcionais para Avaliar Quadril

1. Agachamento

“Mas Keyner, eu costumo usar o agachamento como um exercício.” Já estou ouvindo muita gente falar isso enquanto escrevo esse texto. Sim, o agachamento é um ótimo exercício, não importa se o usamos no funcional ou no Pilates. Porém, ele pode ir além do seu uso nas aulas. Podemos usá-lo como um dos testes funcionais mais eficientes para avaliar quadril.

O segredo na sua eficiência está na globalidade do exercício. Ao agachar o paciente realiza uma flexão de quadril durante a fase excêntrica do movimento e uma extensão na fase concêntrica. Ou seja, aqui já temos dois movimentos para avaliar.

Agachar é uma ótima maneira de avaliar se existem problemas de mobilidade do quadril. Você perceberá isso quando a amplitude de movimento no agachamento for ruim. Em outros casos o aluno até consegue agachar, mas para isso ele precisa inclinar o tronco para a frente ou levantar os tornozelos. Nesses casos também precisamos avaliar se o problema está no quadril, no tornozelo, numa compensação lombar ou numa tensão da cadeia muscular posterior.

Além disso, através dos testes funcionais como o agachamento, conseguimos identificar problemas causados pela patologia, lesão ou dor no quadril nos membros inferiores. Aproveite o agachamento do aluno para identificar desvios dos joelhos e possíveis problemas nos tornozelos. Como o quadril é uma articulação de transferência de forças seus problemas nunca ficam isolados.

2. Teste de FABERE

Recomendo esse teste especialmente para alunos que sentem dor lombar relacionada aos sintomas do quadril ou somente dor lombar. Durante o teste de Fabere é possível identificar se a dor que o paciente sente vem de uma disfunção sacroilíaca, problemas no quadril ou espasmos do músculos Psoas. Já mencionei outros testes para sacroilíaca nesse artigo.

Durante a avaliação usando o teste de Fabere o aluno deve se manter em decúbito dorsal e cruzar uma perna sobre a outra. Inicie o teste aumentando a abdução do quadril aos poucos, o movimento deve ser passivo e realizado pelo fisioterapeuta.

Conseguimos identificar o tipo de problema do aluno de acordo com a região onde ele refere a dor. Uma queixa na região das nádegas quando a abdução do quadril ainda é pequena indica disfunção sacroilíaca. Já dor no quadril conforme aumentamos a abdução indica problemas no quadril. Realize os testes funcionais com ambos os membros inferiores do aluno para obter um resultado mais claro.

Você também pode conferir a execução do teste de Fabere no vídeo abaixo:

3. Teste da Cegonha

O teste da cegonha é um dos testes funcionais realizado com o aluno em pé com um dos membros inferiores flexionados, apoiando o pé na perna estendida (conforme imagem). Esse é um ótimo movimento para avaliar diversas características funcionais do paciente. Você logo perceberá como está a propriocepção, que já te indica uma das possíveis origens do problema de quadril.

Ao realizar o teste você também exige um certo grau de estabilidade da articulação sacroilíaca. Se o aluno reclamar de dor na região glútea é mais um sinal de desequilíbrios nessa articulação. Além disso, dá para conferirmos como está a ativação de glúteos e alguma mobilidade de joelho e tornozelo.

Alguns alunos não conseguem realizar o teste por falta de propriocepção e equilíbrio ou conseguem ficar por pouco tempo na posição. Lembre-se: não ser capaz de fazer o teste já é um indicativo de problemas para esse aluno.

O teste pode ser usado para complementar resultados ambíguos obtidos no teste de Fabere. Ele também ajuda a identificar fraqueza nos membros inferiores, você perceberá isso principalmente quando o aluno realizar um valgo ou varo dinâmico do joelho.

4. Movimentos Passivos

O quadril realiza movimentos em todos os eixos de movimento e em variadas amplitudes. Para que seus movimentos aconteçam ele precisa de uma série de movimentos musculares que precisam estar em sincronia. Um músculo tensionado, encurtado ou fraco já é o suficiente para gerar uma disfunção da articulação. Por isso, é importante incluir movimentos passivos entre os testes funcionais para quadril.

Movimentos passivos auxiliam o fisioterapeuta a entender se o problema que causa dor está nas musculaturas ou nas estruturas articulares. Conseguimos usá-los para identificar lesões e danos a estruturas estabilizadoras passivas do quadril como ligamentos, tendões e cápsula articular. Lembre-se de realizar todos os movimentos do quadril, incluindo:

  • Rotação externa e interna;
  • Flexão e extensão;
  • Adução e abdução.

Eles não podem ser usados como único meio de diagnóstico, mas sim como complemento para outros testes funcionais do quadril.

5. Corrida e/ou Caminhada

Assim como o agachamento, a corrida e caminhada são movimentos diários para nossos pacientes. A avaliação da caminhada é um ponto essencial para determinar desequilíbrios e compensações musculares do paciente. Ao contrário de exames estáticos, como o teste de Fabere, ele nos mostra a dor em um contexto completo. Conseguimos analisar quais musculaturas estão sendo pouco ativadas ou hiperativadas.

Durante a caminhada, você deve analisar muito bem a postura e posição do seu paciente. Fique atento para desvios posturais como uma hiperlordose lombar. Outra possibilidade é que o indivíduo realize uma anteversão ou retroversão da pelve para compensar a falta de mobilidade de joelhos ou lombar.

6. Teste para Síndrome do Piriforme

A síndrome do piriforme é um problema que ocorre quando o músculo piriforme está hipertrofiado ou tensionado causando a compressão do nervo ciático. Por pressionar o nervo, a síndrome do piriforme pode facilmente ter seus sintomas referidos na coluna lombar ou algo longo do membro inferior.

Para garantir que seu diagnóstico do quadril está correto realize testes específicos para a síndrome do piriforme. Eles também te ajudam a determinar a origem de dor lombar inespecífica e confirmar uma possível ciatalgia. Você pode conferir alguns bons testes para esse problema no meu artigo completo sobre avaliação da síndrome do piriforme.

Conclusão

Chamo os movimentos desse artigo de testes funcionais porque boa parte deles simula movimentos e ações que o aluno realizaria na sua vida diária. Eles são essenciais para sua avaliação porque mostram como a pessoa se moveria na realidade. De nada adianta fazer somente movimentos passivos, por exemplo, se somos incapazes de entender como o quadril compensa durante a marcha.

Ao aplicá-lo você consegue decidir os exercícios para dor no quadril mais eficiente para seu aluno. Falando em exercícios, quero aproveitar para recomendar meu artigo com 19 exercícios para dor no quadril para complementar sua leitura.

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