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Mobilidade X Estabilidade na Reabilitação da Coluna: Como Realizar?

Será que uma coluna com dor precisa de movimento? Com certeza! Mesmo assim insistimos em trabalhar só fortalecimento de estabilizadores, fortalecimento de Core e muito pouco ou quase nada de mobilidade. A reabilitação da coluna nunca estará completa enquanto nosso foco for somente a estabilidade.

Para conseguir mudar a ideia de que a coluna precisa de estabilidade, separei algumas dicas relacionadas a mobilidade a reabilitação da coluna. Você vai aprender como a falta de movimento está relacionada com a dor lombar e como trabalhar o movimento em aula. Vamos lá? Continue lendo para conferir dicas valiosas.

Dores na Coluna Causadas por Instabilidade

Geralmente quando um aluno chega para realizar a reabilitação da coluna, especialmente na região lombar, encontramos bastante instabilidade. Isso costuma acontecer porque existe uma fraqueza nos estabilizadores da coluna.

Em geral relacionamos dor lombar com uma falta de estabilidade e excesso de mobilidade. Tal fator coloca as estruturas ósseas e de proteção, como discos intervertebrais, sob pressão. Como resultado vemos as mais variadas dores e lesões.

O que esquecemos ao analisar uma dor lombar causada por instabilidade e falta de sustentação é a visão global do corpo. Se existe instabilidade em uma articulação, provavelmente existe rigidez na articulação subsequente.

Para a lombar esse seria o quadril ou a coluna torácica. Então perceba que a mobilidade excessiva da lombar na verdade foi causa por falta de mobilidade em outra área. Confuso?

Olhe como vemos o corpo na abordagem joint by joint com a qual trabalhamos no funcional. Cada conjunto articular possui uma necessidade em especial. Essa necessidade seria características que ele tende a perder nas atividades cotidianas. A coluna torácica, por exemplo, precisa de mobilidade. Já a lombar precisa trabalhar estabilidade. Isso quer dizer que a maioria dos nossos alunos possui uma torácica rígida, sem movimento.

Os alunos que estão em fase de reabilitação na coluna lombar precisam desse trabalho de mobilidade, especialmente se acontecer de maneira global. Mesmo que você trabalhe estabilidade à exaustão o corpo não se cura. É até possível que a dor desapareça temporariamente, mas os desequilíbrios biomecânicos continuam lá.

O Que Acontece Quando Priorizamos Estabilidade?

Seu aluno veio realizar a reabilitação da coluna lombar, nada de novo para nós que trabalhamos com funcional ou Pilates. Logo após a primeira avaliação você decide: essa lombar está instável, sabe o que essa pessoa precisa? De muito trabalho de estabilidade!

Então começa a trabalhar ativação de Core, fortalecimento de transverso do abdômen e outras musculaturas estabilizadoras. Não está errado, precisaremos de tudo isso para realizar o tratamento. Mas em excesso é possível gerar mais problemas do que resolve.

Quando realizamos um fortalecimento excessivo dos estabilizadores da coluna lombar, criamos uma coluna rígida. Sem movimento o sistema musculoesquelético fica sobrecarregado. Até os discos intervertebrais ficam em risco. Como resultado, surge uma probabilidade maior do aluno desenvolver patologias como hérnias de disco lombar.

As cadeias musculares desse corpo sem movimento tornam-se tensas. Assim, mesmo quando o corpo está em relaxamento ele é incapaz de se recuperar por completo e até de repor a água dos discos intervertebrais através da hidrofilia.

Existem diversas alterações que criamos quando não trabalhamos mobilidade na reabilitação de coluna. Pegue o transverso do abdômen como exemplo. Ele possui várias funções na manutenção da postura e controle da pressão intra-abdominal (PIA).  Por isso é considerado um importante estabilizador lombar. Essa musculatura forma a parede posterior do canal inguinal, sendo responsável por impedir herniação das vísceras.

Ao trabalhar com um excesso de contração do transverso, geramos um alto custo compensatório para o corpo. Acabaremos com uma PIA aumentada, problemas posturais e diminuição da mobilidade da coluna. Fortalecer somente transverso do abdômen não é a solução para seus problemas. Sempre devemos lembrar que músculos estabilizadores da coluna são um conjunto e devem ser trabalhados assim. E claro, que é preciso inserir também trabalho de mobilidade.

Lembre: quanto menos móvel for a coluna mais frágil ela se torna e maior a probabilidade de lesão.

Influência da Postura na Reabilitação da Coluna

Um indivíduo com uma postura considerada normal, tem o peso do corpo direcionado para a frente sobre a região do hálux. Através do posicionamento correto da linha do centro de gravidade do corpo observamos um bom alinhamento postural. Nessa postura os membros inferiores encontram-se alinhamos com o quadril e joelhos estão em posição neutra.

Quando o alinhamento postural está comprometido vemos uma maior carga aplicada na coluna lombar. Isso é algo bastante observado em alunos obesos, cuja distribuição de gordura corporal interfere no alinhamento postural. Inclusive talvez você perceba que essas pessoas são bastante propensa a desenvolver dor lombar.

Em um desalinhamento postural algumas musculaturas ficam enfraquecidas e outras mais tensionadas. No caso da hiperlordose que costuma causar dor lombar temos hipotrofia dos estabilizadores da coluna, algo que também causa instabilidade. Mesmo com a alta capacidade de suportar peso da região lombar ela eventualmente sofrerá por causa da postura errada.

Para conseguir recuperar um bom alinhamento postural é necessário trabalhar o corpo todo. A hiperlordose que mencionei aqui também causa uma inclinação da pelve que prejudica a mobilidade do quadril. É possível encontrar desvios em todo membro inferior, incluindo joelhos e tornozelos. Sabe qual é a única solução de recuperar a postura? Recuperar também a mobilidade do corpo.

Muitas vezes, o paciente desenvolveu essa hiperlordose lombar como compensação para uma série de desequilíbrios gerados por falta de mobilidade. O aumento da lordose lombar está relacionado a um aumento da cifose torácica em muitos casos. Com a coluna torácica menos móvel até os ombros e escápulas apresentam amplitude de movimento menor.

Por Que a Falta de Mobilidade é tão Comum?

O corpo foi criado para se mover de várias formas. Hoje em dia, no entanto, o ambiente social e cultural em que crescemos nos incentiva à imobilidade. Combine estilo de vida sedentário com a ideia de que uma coluna saudável é reta e temos a fórmula perfeita para desenvolver rigidez na coluna vertebral.

Pessoas sedentárias tendem a perder mobilidade em todo o corpo. Fica muito tempo sentado é um grande problema que causa enfraquecimento de musculaturas de base como o glúteo. Também veremos uma ativação excessiva de músculos como os isquiotibiais, que, apesar de permitir movimentos da pelve, são responsáveis por desvios posturais no movimento. Sem musculaturas de base para sustentar o corpo é claro que a coluna lombar fica instável.

A solução para todo esse quadro compensatório não é isolar a lombar e trabalhar sua estabilidade. Assim você só conseguirá mais rigidez. O ideal para uma boa reabilitação de coluna é combinar mobilidade e estabilidade.

Adquira estabilidade onde e quando o corpo precisar, mas evite a rigidez. O corpo rígido só fica mais frágil. Seu aluno talvez saia da aula sem dor lombar, mas ela vai voltar e talvez pior.

Como Trabalhar Mobilidade na Reabilitação da Coluna Lombar

Logo que começamos a reabilitação da coluna com o aluno ele tem medo de movimento. Isso é completamente compreensível, mas não aceitável. Mesmo que nossa vontade seja mobilizar essa coluna agora mesmo, não podemos forçá-lo. Seu papel será de incentivar o movimento e mostrar que não existem riscos.

Talvez seja um processo demorado. Estamos lidando com alguém que provavelmente vem sentindo dor há meses. Até onde essa pessoa sabe se ficar quietinho deitado na cama a dor passa, então se mover é o problema. Sabemos que o verdadeiro problema está em não se movimentar, mas o paciente terá de descobrir.

Comece com exercícios mais leves e com uma amplitude de movimento menor. Você pode e deve usar acessórios que facilitam o movimento e ajudem a estabilizar a coluna. Muitas vezes precisamos limitar o trabalho de mobilidade nas fases iniciais da reabilitação da coluna. Conforme a pessoa for progredimento você aumenta a amplitude de movimento usada no exercício.

Conclusão

Com os avanços tecnológicos e uma cultura do sedentarismo a tendência é ver corpos cada vez mais rígidos. Essa rigidez e falta de movimento está diretamente ligada à alta incidência de dor lombar que observamos na população em geral. Se quisermos realizar uma reabilitação eficiente para cada um de nossos alunos teremos de lembrar que o problema não é só a instabilidade. O verdadeiro problema é a falta de movimento.

Uma boa reabilitação envolve exercícios focados em estabilidade e mobilidade que se complementam. Queremos ganhar amplitude de movimento aos poucos conforme os músculos estabilizadores da coluna se fortalecem. É a melhor maneira de evitar deixar a coluna do aluno rígida e de realmente oferecer resultados.

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