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Pilates no tratamento de Reumatismo

Quem nunca ouviu falar em reumatismo? Logo que se ouve falar é comum relacionar a um problema encontrado na população idosa, entretanto, esse termo não especifica uma doença em si, mas sim um grupo de doenças que atuam no sistema musculoesquelético e conjuntivo, podendo ser diagnosticada em diferentes idades.

O reumatismo é um mal silencioso que compromete a qualidade de vida de mais de 15 milhões de brasileiros e é a segunda maior causa de afastamentos do trabalho segundo a Previdência Social.

Normalmente, comete-se o equívoco de associar o surgimento de dores reumáticas ao envelhecimento. Acredita-se que somente pessoas com faixa etária superior aos 60 anos podem sofrer com estas dores. Entretanto, elas não são exclusivas da Terceira idade, pessoas mais jovens (incluindo as crianças) também podem ser acometidas por problemas reumáticos.

Reumatismo é um conjunto de doenças reumáticas que podem acometer as articulações, causando fraqueza muscular, inchaço e dores intensas. “As doenças reumáticas podem afetar pessoas de qualquer idade. Mas, a incidência é maior entre mulheres na faixa etária entre 20 e 60 anos”.

Ainda, vale salientar que existe uma variante desta doença, a artrite reumatóide juvenil, cujas primeiras manifestações aparecem antes dos 16 anos, mas a freqüência é menor do que nos adultos.

As doenças reumáticas podem ser as mais variadas, existindo centenas delas. Segundo o fisioterapeuta Helder Montenegro, “as doenças mais comuns no público feminino são a lúpus, a osteoporose, a fibromialgia e a artrite reumatóide”. No público mais jovem as principais são as tendinites, lombalgias, bursites e LER (lesões por esforço repetitivo), ou seja, doenças que atingem estruturas próximas às articulações.

Muitas pessoas usam a palavra “artrite” para se referir a todas as doenças reumáticas. Porém, a palavra significa literalmente inflamação na articulação; que é inchaço, vermelhidão e dor causada por tecido lesionado ou enfermidade na articulação.

O termo que se banalizou pelo uso corriqueiro abarca mais de 100 doenças que acometem articulações, tendões, ligamentos, ossos e até órgãos do corpo, afetam pessoas de diversas faixas etárias, com incidência significativa entre os idosos, e têm na atualidade um complemento eficaz ao tratamento que ganha cada vez mais adeptos.

pilates ajuda no reumatismo

Os vários tipos diferentes de artrite englobam apenas uma parte das doenças reumáticas. Algumas enfermidades reumáticas são descritas como doenças do tecido, porque elas afetam o tecido conectivo do organismo, a estrutura de suporte do corpo e seus órgãos internos. Outras são conhecidas como doenças auto-imunes porque são causadas por um problema no qual o sistema imunológico danifica os próprios tecidos sadios do corpo.

Exemplos de algumas doenças reumáticas:

  • Osteoartrite
  • Artrite reumatóide
  • Fibromialgia
  • Lúpus eritematoso sistêmico
  • Escleroderma * Artrite reumatóide juvenil
  • Espondilite anquilosante
  • Gota

O tratamento com Pilates

Para o tratamento adequado e efetivo é importante caracterizar o tipo de reumatismo. O Pilates aparece como excelente alternativa, atuando como importante aliado tanto na prevenção quanto no tratamento das dores reumáticas, além de promover o fortalecimento e alongamento dos músculos envolvidos. Técnicas de mobilização comuns nessa metodologia ajudam a diminuir a dor e a rigidez em articulações afetadas.

No Pilates os exercícios específicos auxiliam, sobretudo, nos casos de distúrbios de movimento decorrentes de alterações de órgãos ou sistemas. Isso porque o Método é eficaz na reabilitação de algumas funções do corpo. Alguns tratamentos fisioterápicos visam trabalhar nas disfunções provocadas por doenças crônico-degenerativas ou inflamatórias. Sendo que estas atingem o sistema músculo esquelético e o sistema conjuntivo de causas não traumáticas.

Muito confundida com a artrose, porém diferente, a artrite reumatóide é uma doença auto-imune que se caracteriza pela inflamação das articulações. Em alguns casos ela afeta também as estruturas vizinhas e com comprometimento do estado geral do paciente.

A intensidade da doença varia de acordo com as características genética do indivíduo, já que a doenças está relacionada com o sistema imunológico. Sua causa ainda não foi comprovada, embora existam hipóteses. Sabe-se que em determinadas situações, a artrite pode ter origem em outras doenças, por isso é fundamental que esta seja diagnosticada.

As articulações mais afetadas são as do punho, dedos e tornozelos, porém, todas as articulações podem ser atingidas, normalmente de forma simétrica. Nos indivíduos que possuem artrite reumatóide, é comum se dar a rigidez matinal, importante dificuldade para movimentar as articulações.

Embora a inflamação se limite à membrana articular, a articulação aparece inchada e vermelha. À medida que o processo inflamatório avança, ocorrem deformações na região afetada com possibilidade de tornar a estrutura inválida. Com isso, há a probabilidade do surgimento de nódulos que invadem e destroem a cartilagem, podendo afetar outros órgãos como o coração, o fígado, os pulmões, os rins, as artérias e o sistema nervoso periférico. Nestes casos, existem sintomas diferenciados, de acordo com o órgão.

O principal sintoma é a dor, proporcional ao grau de inflamação. A princípio, se dá com os movimentos ou pressão sobre a articulação afetada, com a progressão da doença, a dor se manifesta em repouso e acompanhada de atrofia muscular. Ainda, pode ocorrer febre, perda de apetite e de peso. Para a artrite, infelizmente, não existem formas de prevenção.

Vale ressaltar que qualquer pessoa que se submete a determinados esforços mais intensos ou traumáticos, pode desenvolver um quadro inflamatório da articulação que, na fase aguda, denomina-se artrite.

Pilates, como qualquer outro exercício físico (modalidades aquáticas, musculação entre outros)  são boas indicações para pacientes com quadros reumáticos. Porém, é necessário o equilíbrio entre a prática do mesmo e o descanso. Quando os sintomas estiverem intensos, diminua a intensidade e descanse, mas não pare.

Planeje sua aula evitando estímulos excêntricos e trocas bruscas do tipo de estímulo muscular. O objetivo é minimizar a chance de dor muscular tardia, uma população que já convive com dores constantes não se beneficiará com mais uma dor trazida pelo exercício.

É importante que as articulações sejam estimuladas para a produção do líquido sinovial, um tipo de “lubrificante” que ameniza o atrito entre as estruturas e que tem sua produção estimulada pelo movimento e deacoptação das articulação, escolha exercícios que diminuam a pressão interna articular em vista de facilitar a circulação de líquidos na articulação. Ele evita dores, lesões e distensões.

Com o Pilates, é possível dar continuidade a uma gama de exercícios com segurança e com efetividade. Neste período de pico dos sintomas, o programa da aula é direcionado principalmente à mobilização e deacoptação das articulações, mantendo os cuidados apropriados para evitar o cansaço e sobrecarga, assim evitando que os sintomas se intensifiquem.

Quando as crises passarem, as dores e os inchaços diminuírem, a prescrição dos exercícios de  Pilates podem progredir aos poucos, sem exageros. Nesse momento também existe a possibilidade de enfocar também nesse momento, o equilíbrio muscular através da força e flexibilidade dos músculos debilitados de forma que as articulações sejam preservadas.

Além disso, o Pilates proporcionará uma grande consciência corporal ao indivíduo, que somado às capacidades físicas potencializadas em uma estrutura corporal equilibrada, resultará em um padrão de movimento mais eficiente e econômico, haverá então menos gasto de energia e as articulações estarão mais protegidas nas atividades da vida diárias.

É importante que o profissional e o próprio portador da artrite reumatóide preste muita atenção ao jeito e sensações dos movimentos, facilitando assim a adaptação ao programa de exercícios. Fazer compressas de água quente durante os períodos de crise pode proteger as articulações de um dano adicional.

O Pilates tem se mostrado um poderoso aliado dos pacientes de doenças como osteoporose, artrose, tendinite, bursite e outras enfermidades reumáticas, cuja causa não é um trauma. A modalidade é indicada porque trabalha o ganho de força, mobilidade, massa muscular e flexibilidade. Isso faz com que os ossos, articulações e tendões, focos da maioria das doenças deste grupo, sejam menos sobrecarregados. Os exercícios de mobilidade nutrem as articulações e isso faz com que a rigidez nesses pontos diminua.

Se antes a tradicional fisioterapia era a principal recomendação, associada a medicamentos para a redução da inflamação e da dor, hoje as aulas de Pilates representam um meio de acelerar a recuperação dos pacientes e trazer qualidade de vida, além de fortalecer o organismo como um todo.

O encaminhamento por fisioterapeutas e médicos é cada vez mais frequente e isso mostra que a ciência descobriu o Pilates para o tratamento com resultados mais rápidos no caso de portadores dessas doenças reumáticas.

Desta forma, determinados movimentos da modalidade relaxam, protegem e fortalecem os pontos comprometidos pelas doenças reumáticas, reduzindo dor e inflamações.

Agora, o Pilates faz toda a diferença!

Na maioria das enfermidades que se enquadram como reumatismo, a prática deve ser associada ao acompanhamento médico e, dependendo do caso, a medicamentos sob prescrição a partir de tratamento. Para todas as doenças, as atividades devem começar de forma mais leve e evoluir de acordo com a resposta do corpo do aluno. Sob este ponto de vista o atendimento personalizado deve ser a conduta padrão, pois cada aluno tem a sua resposta à prática do Pilates e essa atenção particular garante melhor evolução no quadro reumático e nas habilidades de execução dos exercícios.

Outro ponto positivo da prática do Pilates é aquecer as articulações e garantir o aporte sanguíneo para elas. Os ossos e os músculos sentem frio! Quando os vasos sanguíneos se contraem em busca de calor, a circulação no corpo é prejudicada. Pacientes com doenças reumáticas, como artrite e artrose, por exemplo, logo percebem dores nas articulações.

O controle dos incômodos, na maioria das vezes, é feito por remédios. Mas a atividade física também pode ser poderosa na hora de amenizar esses sintomas uma vez que promove a vaso dilatação e leva mais sangue as áreas em movimento.

Os pacientes em fase aguda de doenças reumáticas devem fazer exercícios controlados. Séries mais leves são ideais, para relaxar, e com bastante alongamento. É ele que controla a tendência da contração muscular que temos quando as temperaturas baixam.

As doenças que atingem os ossos muitas vezes são degenerativas, e exercícios praticados sem orientação podem agravar o quadro clínico. Atividades de alto impacto, sem acompanhamento, aceleram esse processo. É indispensável um profissional para prescrever o peso, o exercício e o número de repetições do treino de cada aluno.

A presença de dor dificulta os movimentos funcionais do corpo, que pode envolver desde uma articulação, como também, o aparelho locomotor no geral. A falta de movimento implica desde uma alteração postural, dificuldade para caminhar, rigidez articular, dores musculares, apatia, resultando numa inabilidade funcional e reduzindo a qualidade de vida dos pacientes.

O quadro clínico dos pacientes que sofrem desse grupo de doenças é um tanto limitante se não houver tratamento adequado, porém, quando bem assistidos esses pacientes podem levar uma vida normal, livre dos sinais e sintomas; e a prática regular de exercícios físicos adequados se faz imprescindível.

O Pilates, através dos seus princípios e individualidade na sua abordagem, proporcionará uma melhor qualidade de vida, uma vez que estimula a interação social e é considerado um exercício de baixo impacto, que trará benefícios para o ganho da amplitude de movimento, além de ser altamente adaptado para cada pessoa.

As doenças reumáticas geralmente são de caráter crônico evolutivo, no entanto, são controláveis quando acompanhadas periodicamente pelo médico responsável, geralmente um reumatologista. A prática regular do Método Pilates pode melhorar a autonomia do paciente, já que os exercícios irão promover a manutenção e ganho da amplitude de movimento, melhorar a flexibilidade, o fortalecimento muscular, a orientação postural e o relaxamento, um trabalho voltado para a harmonia entre corpo e mente.

Conclusão

Desta forma, sabendo que o envolvimento do aparelho locomotor é comumente afetado em alguma fase de manifestação e evolução desse tipo de doença, a indicação do uso do Método Pilates de forma regular, associado ao condicionamento cardiovascular, através de uma orientação e acompanhamento de um profissional especializado no Método, incorpora-se ao tratamento dos pacientes reumáticos, visando a melhoria do quadro clínico e consequentemente da qualidade de vida.

Todo tratamento com Pilates deve ser baseado em uma abordagem global, atendendo e assistindo o sujeito integralmente, com o objetivo de propiciar uma reabilitação mais completa e abrangente, em âmbito físico, psíquico, social e emocional, melhorando, significativamente, a qualidade de vida desses alunos e pacientes.

 

 

 

 

 

 

 

 

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