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Conheça as Principais Lesões no Quadril e como Tratá-las

Muito se fala de patologias do quadril e seu tratamento. Mas hoje, quero mudar um pouquinho o foco e falar sobre algumas lesões no quadril que são muito comuns. Precisamos aprender quais são os desequilíbrios que servem de origem para essas lesões no quadril e como consertá-los. Só assim conseguimos ajudar o paciente a retomar suas atividades normais e também a prática esportiva. Foco nessa parte de prática esportiva porque, como você logo verá, a maioria dessas lesões é mais comum em atletas.

Impacto Femoroacetabular

Esse é um problema muito comum entre as lesões no quadril. O impacto femoroacetabular acontece quando existe algum tipo de crescimento ósseo que leve a um excesso de contato entre o fêmur e o acetábulo. Ainda não se conhecem todas suas origens, mas estima-se que um dos grandes culpados seja uma mecânica errada de movimento.

Geralmente existe uma projeção óssea no colo do fêmur ou na borda do acetábulo. É por causa dela que as duas estruturas passam a sofrer impacto durante os movimentos diários.

Se o seu paciente for um praticante de esportes provavelmente terá o dano aumentado e perceberá a patologia mais rápido. Durante as atividades físicas o corpo é exposto a impacto bastante maior que está acostumado. Assim, o quadril precisa de uma boa mecânica de movimento para conseguir distribuir e dissipar as forças geradas.

Existem três tipos de lesões no quadril causadas por impacto femoroacetabular:

  • CAM: acontece com o crescimento ósseo no colo ou cabeça do fêmur. Causa impacto principalmente durante os movimentos de flexão, adução e rotação interna de quadril.
  • Pincer: é o crescimento anormal na borda do acetábulo.
  • Misto: é uma mistura em variados graus dos dois tipos de lesões.

As lesões no quadril do tipo CAM são mais comuns em homens e lesões do tipo pincer acontecem mais em mulheres. Apesar disso, a lesão que realmente é mais comum na população geral são as de tipo misto.

Antes de começar o tratamento precisamos fazer uma boa análise do quadro. Dependendo da idade da lesão o paciente pode ter sofrido danos estruturais profundos no quadril. Infelizmente, só é possível perceber isso através de uma boa avaliação física e exames de imagem. Após confirmar que o tratamento conservador é a melhor opção, podemos começar com a fisioterapia e outras modalidades.

Tratamento de Impacto Femoroacetabular

No início do tratamento precisaremos reduzir a amplitude dos movimentos de quadril. O aluno precisa evitar movimentos que aumentem o impacto das estruturas ósseas, pelo menos até que esteja com a articulação mais estável. Isso significa evitar agachamentos mais profundos e muita rotação interna de quadril.

O objetivo dos exercícios é conseguir recuperar a flexibilidade e mobilidade do quadril. Para isso, precisaremos avaliar e trabalhar com as musculaturas que estão tensionadas e encurtadas.

Síndrome do Piriforme

A síndrome do piriforme é uma lesão que ocorre quando existe espasmo ou contração excessiva do músculo. Como resultado, o piriforme também comprime parte do nervo ciático, causando dor e dormência ao longo do seu trajeto.

As causas variam. É possível que a síndrome aconteça por variações anatômicas que fazem o ciático atravessar o piriforme ao invés de passar por baixo dele. A síndrome é bastante comum em atletas, especialmente corredores e ciclistas.

O piriforme é um músculos importante para os movimentos do quadril e está envolvido em:

  • Rotação;
  • Abdução;
  • Extensão.

Ele atua em sincronia com músculos mais potentes para realizar esses movimentos, como o glúteo médio e máximo. O piriforme também verticaliza o sacro e distribuir forças na articulação sacroilíaca. Quando está sob o efeito de forças ascendentes e descendentes no movimento, o piriforme afasta as asas ilíacas e protege a pelve. Podemos perceber então que além de realizar movimentos, o piriforme tem uma importante função de estabilização da pelve junto ao glúteo máximo.

Na síndrome do piriforme encontraremos glúteos tensos e fora de seu funcionamento fisiológico. Além de causar alterações no funcionamento do piriforme, a disfunção glútea também leva a disfunções dos ilíacos.

Tratamento da Síndrome do Piriforme

Para compensar pela contração, tensão ou encurtamento do piriforme o corpo realiza uma série de adaptações. Começaremos o tratamento identificando essas alterações, que ficam mais visíveis na posição dos ilíacos. Após identificar como o corpo compensou, precisamos corrigir as cadeias musculares afetadas.

Precisaremos relaxar a tensão excessiva do glúteo e também o assoalho pélvico, que fica em tensão por causa da pressão aumentada. Também devemos corrigir a postura do paciente, prestando atenção extrema à posição do quadril no movimento.

Por fim, também devemos manter os músculos abdutores e adutores alongados e fortalecidos.

Lesão do labrum acetabular

O quadril é uma articulação que precisa estar muito bem estabilizada para realizar os movimentos corretamente. Existem, dessa maneira, diversas estruturas responsáveis por sua estabilização como ligamentos, tendões e músculos. Também encontramos mais uma estrutura única ao quadril, o labrum, uma cartilage semelhante ao menisco. Ele se encontra na borda do acetábulo e tem as funções de:

  • Absorver impactos durante o movimento;
  • Distribuir pressões;
  • Estabilizar a articulação.

Qualquer indivíduo pode sofrer uma lesão no quadril labral. A lesão está relacionada a traumas e impactos exercidos diretamente sobre a articulação do quadril e também a outras patologias. Uma das causas mais comuns é a lesão femoroacetabular que já mencionei nesse artigo.

Um paciente com lesão no labrum sente fortes dores na virilha. A dor é profunda e também pode afetar a região dos glúteos e posteriores de coxa.

Tratamento

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico dependendo da gravidade da lesão. Muitos pacientes precisam de intervenção cirúrgica quando existe um comprometimento muito grande do labrum que também pode levar a alterações mecânicas das estruturas ósseas.

Com a fisioterapia conseguimos tratar graus menores de lesão e especialmente patologias que estão relacionadas. Precisaremos de uma ótima avaliação para identificar os principais desequilíbrios musculares. O quadril desse paciente precisa de um trabalho de estabilização especializado para evitar a compressão das estruturas lesionadas.

Fraturas

As fraturas de quadril são bastante comuns em idosos e têm um efeito devastador sobre sua independência e qualidade de vida. Geralmente, idosos sofrem fraturas nas estruturas articulares após quedas geradas pela falta de equilíbrio e propriocepção comuns no processo de envelhecimento.

As fraturas podem ocorrer em diversas estruturas do quadril como colo do fêmur e articulação trocantérica. Após uma fratura, o paciente precisa passar por um período de imobilização e possivelmente cirurgia corretiva.

Tratamento das Fraturas de Quadril

O principal papel do fisioterapeuta e qualquer profissional de movimento será no período mais avançado de recuperação. Quando a fratura já está quase curada pelo corpo ou quando o paciente está no período pós-operatório precisamos ajudá-lo a recuperar seus movimentos.

Perceba que as fraturas costumam acontecer em idosos após quedas ou traumas na região. Isso significa que além dos danos físicos, esse paciente terá traumas psicológicos com os quais precisa lidar. É comum que alguém que passou por uma fratura desenvolva medo de se mover, caminhar e principalmente de sair de casa.

O profissional do movimento deve trabalhar com a recuperação da mobilidade do quadril e também da confiança do paciente. Além disso, devemos inserir um bom trabalho de propriocepção e equilíbrio para prevenir novas quedas e fraturas.

Conclusão

O que mencionei aqui foi um breve resumo das lesões no quadril e os desafios que enfrentamos com seu tratamento. É importante lembrar que cada indivíduo terá um mecanismo de adaptação do corpo diferente. Não adianta querermos pegar um protocolo pronto para cada lesão e aplicar a todos os pacientes com ela. Por isso é importante investir em conhecimento a respeito da articulação do quadril e seus movimentos relacionados.

Quanto mais conhecermos sobre cada problema, mais preparados estaremos para tratá-los. O movimento é uma solução ideal para boa parte dos problemas musculoesqueléticos do aluno. O que importa é saber utilizá-lo de maneira eficiente e garantir resultados.

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