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Como tratar dor no ombro – ainda no início – sem trabalhar o ombro

Trabalhar com dor não é fácil. Os pacientes lesionados costumam chegar para nós em uma fase de dor aguda na articulação atingida. Por isso, mesmo pequenas manipulações causam dor extrema. Mas, e se eu te disse que podemos começar a tratar dor no ombro sem trabalhar essa articulação diretamente?

Não estou querendo dar uma fórmula mágica de tratamento ou algo do tipo. Mas sim, fazer algumas observações a respeito das fases iniciais do tratamento de dor no ombro que todos deveriam conhecer. Quer entender melhor como tratar o ombro sem precisa envolvê-lo na fase inicial? Então continue lendo.

Por que não precisamos tratar o ombro diretamente nas fases iniciais do tratamento?

Mesmo que as lesões no ombro possam desenvolver-se ao longo de meses, seu paciente provavelmente só percebeu que tinha uma quando a dor surgiu. Isso é válido para quase todo tipo de lesões e patologias, desde bursites até capsulite adesiva.

Só existe um problema nisso: quando o paciente chega no nosso espaço, ele está com dor, muita dor. Ou seja, não conseguimos tratar seu problema diretamente. Qualquer movimento ou até manipulação da região incomoda e não podemos forçar o paciente.

Considerando essa situação, fica a dúvida: como podemos tratar esse aluno se ele sequer nos deixa encostar no ombro?

Vamos começar por um ponto óbvio que sempre menciono em meus artigos: a avaliação.

“Mas eu sei que preciso avaliar o aluno, Keyner.” Sabe mesmo, todo sabemos, mas por costume ou falta de atenção, acabamos sempre focando na região lesionada e isso é um problema. Para conseguirmos tratar dor no ombro mesmo nas fases iniciais nas quais a dor impede o movimento.

Através da avaliação conseguimos identificar musculaturas em desequilíbrio, mesmo que estejam longe do ombro, que é a região mais afetada. Antes de planejar os exercícios funcionais para o tratamento de ombro, uma boa avaliação é essencial.

É claro que não estamos fazendo isso para abolir os exercícios de ombro do tratamento, pelo contrário. Precisamos encontrar maneiras de aliviar a dor antes de conseguirmos trabalhar corretamente com essa região lesionada.

Importância do trabalho de musculaturas de base para o ombro

O ombro é uma articulação extremamente complexa. Ele precisa ser estável, porém, possui uma grande amplitude de movimento que causa instabilidade constante. Suas musculaturas são a principal fonte de estabilidade e qualquer pequeno desequilíbrio pode causar problemas.

Mas, você sabia que não são só problemas nos músculos do manguito rotador que causam problemas nos ombros? Nosso corpo é uma estrutura interconectada que se assemelha bastante a uma construção. Quando as bases não estão funcionando corretamente, as partes superiores sofrem.

Portanto, quando queremos usar o treinamento funcional para tratar dor no ombro, precisamos lembrar das bases do corpo. Qualquer articulação depende delas e costumam estar especialmente desequilibradas em problemas de ombro.

Para entender como isso funciona, basta observar nossos movimentos de ombro na rotina. Ele raramente envolvem somente o membro inferior. Para que algo aconteça ativamos tornozelos, quadril, coluna, entre outros. Por isso, desequilíbrios em musculaturas relacionadas também refletem negativamente no ombro.

Quais músculos trabalhar no tratamento de dor no ombro?

Aqui chegamos ao ponto central desse artigo: as musculaturas de base do ombro. Também chamamos esse músculos de estabilizadores primários do ombro, um nome bem autoexplicativo sobre sua função. Sem eles, o ombro perde sua sustentação e realiza movimentos inseguros. Devemos prestar atenção especialmente a esses músculos no tratamento inicial:

Por que o glúteo é tão importante para tratar dor no ombro?

Perceberam que na lista mostrada acima citei o glúteo? Falo dele porque essa musculatura é extremamente essencial para tratar dor no ombro. Ele ainda a fazer um tratamento para fase inicial que não exige envolver o ombro lesionado diretamente.

O glúteo realiza a sustentação do ombro e de outras articulações do tronco e membros superiores. Portanto, começar com seu fortalecimento e ativação na fase inicial de tratamento é uma excelente ideia.

Podemos aproveitar para trabalhar outras musculaturas de base, como o Core. Juntas, essas estruturas sustentam as escápulas e agem em conjunto com o serrátil, trapézio e manguito rotador. Exercícios como a ponte são excelentes para trabalhar glúteo e Core.

Muitos autores citam o glúteo como um dos músculos mais importantes do corpo. Por coincidência, ele também está envolvido em boa parte das desordens musculoesqueléticas de nossos pacientes. O estilo de vida sedentário que muitos levam faz com que o glúteo seja menos ativado e torne-se bem menos eficiente com o tempo.

Para conseguir tratar dor no ombro, precisamos garantir força e flexibilidade nessa musculatura. Se uma base do corpo falhar, todo o restante fica prejudicado. Quem trabalha com treinamento funcional para o tratamento já deve conhecer as origens do problema depois da avaliação para começar a trabalhar glúteo.

Conclusão

Está trabalhando com ombro ou outra parte do corpo? Tente ao máximo não limitar seu tratamento através de exercícios extremamente isolados. É comum esquecermos músculos de base na hora de tratar dor no ombro, mas isso é um grande erro.

Talvez, seu aluno até consiga se recuperar momentaneamente, mas as chances da patologia voltar são bastante altas. Não podemos cometer esse tipo de erro e permitir que nosso aluno se lesione novamente em circunstâncias parecidas.

Talvez você pense que lembrar das musculaturas de base do ombro seja algo bastante simples. Porém, esse erro é cometido todos os dias por fisioterapeutas e profissionais da educação física. São muitos pacientes que têm dificuldade extrema de se recuperar porque os problemas mais profundos nunca são recuperados.

Só depois de conseguirmos terminar o trabalho de base dos ombros, podemos prosseguir para a próxima etapa do tratamento. Nesse momento, conseguimos fornecer ao membro superior um suporte maior para o movimento que até diminui a dor.

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