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Como realizar a Avaliação do Quadril Através de Movimentos Funcionais?

Você realmente sabe como realizar a avaliação do quadril do seu aluno, ou só sabe fazer um ou dois movimentos que podem ou não causar dor? Calma, isso não é o fim do mundo, mas pode ser o fim do seu tratamento.

Não saber realizar uma boa avaliação do quadril é um erro fatal que pode ser corrigido através de boas informações. Confira no artigo abaixo como avaliar seu paciente através de movimentos funcionais e outras técnicas que te ajudam a ter resultados muito mais precisos.

Papel do Quadril nos Movimentos Funcionais

Quando falamos em quadril, estamos falando de uma articulação que faz parte da cintura pélvica. Essa estrutura é importantíssima para o movimento porque faz a ligação entre membros inferiores e parte superior do corpo. Isso quer dizer que a cintura pélvica é responsável por anular forças, como a força solo e força do peso normal. Ela também transfere forças entre as cinturas para possibilitar a realização do movimento. Sem os movimentos fisiológicos da cintura pélvica as cadeias cinéticas ficam prejudicadas.

Além disso, os movimentos e até a posição estática do quadril tem forte influência sobre a postura do indivíduo. Assim, quando lidarmos com um desvio postural também precisaremos realizar a avaliação do quadril. É possível que suas limitações de movimento estejam envolvidos no desvio que acomete a coluna lombar e até torácica. O quadril é essencial para diversos movimentos diários que muitas vezes estão prejudicados no nosso aluno.

Por ter esse importante papel de anulação e transferência de forças ele também pode estar envolvido em lesões, patologias e desequilíbrios de membros superiores e inferiores. O que estou tentando dizer é: nunca ignore o quadril, mesmo quando estamos avaliando outras regiões do corpo. Se realmente queremos proporcionar para o aluno um movimento funcional, o quadril deve estar envolvido nisso.

Observação: Primeira Etapa da Avaliação do Quadril

Boa parte dos profissionais da fisioterapia preferem começar sua avaliação diretamente nos testes. Mas será que esse é o ideal? Precisamos começar a entender que o exame do nosso aluno começa desde o momento que ele entra na clínica. Sabe aquela hora que ele está sentado esperando ser chamado? Você já consegue começar a identificar desequilíbrios nele.

Não importa se você trabalha com fisioterapia ou educação física, precisamos aprender a ser bons observadores. Nesse primeiro contato com o paciente temos uma grande vantagem: ele não sabe que está sendo avaliado. Assim, seus movimentos serão o mais naturais e similares ao que realiza no dia a dia possível. Aproveite para analisar sua marcha, como ele sobe escadas, agacha para sentar e outras atividades.

Dá para ter insights importantes sobre o movimento do paciente durante a observação inicial. Tudo que você perceber durante o primeiro contato com a pessoa deverá ser confirmado mais tarde, obviamente. Mas já serve como um guia para que o profissional entenda melhor quais são os desequilíbrios que afetam esse corpo. Você pode até direcionar alguns exercícios para confirmar as hipóteses que elaborou nesse momento.

Análise de Histórico Clínico do Paciente

Outro ponto importante da avaliação do quadril que alguns ignoram ou esquecem é a análise do histórico clínico. Não quero dizer com isso que você deve analisar os exames de imagem que a pessoa te traz. Pode usar esses exames como referência, mas eles te contam uma história muito rasa do movimento.

Busque perguntar sobre:

  • Ocupação profissional;
  • Traumas anteriores (mesmo que não estejam relacionados ao quadril);
  • Dores (também não precisam ser exclusivamente no quadril);
  • Atividades de lazer;
  • Atividades esportivas.

Não existe necessidade de fazer um questionário longo sobre a vida do aluno, mas precisamos de informações básicas para iniciar a avaliação. Digamos que você trabalhe com um aluno que gosta de correr maratonas nas horas vagas. Sua avaliação do quadril será bem diferente de outro que é completamente sedentário.

Exames de Palpação do Quadril

A palpação do quadril é parte da nossa avaliação e é especialmente importante em alunos que já apresentam dor nessa região. Através dela conseguimos identificar características como:

  • Pontos dolorosos e pontos gatilho;
  • Tônus muscular;
  • Deformidades ósseas.

Nesse exame buscaremos alguns pontos de referência para analisar o alinhamento do quadril. Esses pontos são:

  • Espinha ilíaca ântero-superior;
  • Crista ilíaca;
  • Espinha ilíaca póstero-superior;
  • Trocânter maior;
  • Tuberosidade isquiática.

Perceba que existem alguns pontos de referência relacionados aos ilíacos. Esses são importantes indicadores de patologias do quadril. Seu desalinhamento pode gerar desvios posturais, disfunções articulares e todo tipo de problema. Você pode conferir mais sobre a influência dos ilíacos e sua avaliação específica no ótimo artigo da Janaína Cintas.

Durante a palpação podemos aproveitar para encontrar cicatrizes, assimetrias e alterações posturais que podem estar relacionadas à patologia. Essa é uma fase que exige bastante atenção do examinador. Lembre-se que durante todo o processo o paciente deve estar confortável e sem dor. Escolha uma posição adequada para isso e, caso o aluno sinta dor, cesse o movimento ou troque de posição.

Avaliação Postural

Chegamos a uma parte importantíssima da avaliação, a avaliação postural. É nessa hora que determinamos a relação do quadril com desvios posturais que o aluno possui. Quero sugerir aqui que você não pare na avaliação estática que a maioria faz. Ela te ajuda a encontrar informações importantes? Certamente, mas não chega perto de ser o suficiente.

Precisamos realizar uma avaliação estática e outra dinâmica. Na estática você consegue observar algumas das compensações que afetam o aluno, mas não as vê em movimento. É só durante o movimento que você descobre os verdadeiros desequilíbrios que precisa corrigir.

Avaliação de Mobilidade

O quadril é uma articulação sinovial que consegue se movimentar em todos os planos de movimento. O fato da articulação ser capaz de diversos movimentos não quer dizer que nossos alunos conseguem fazê-los em sua amplitude completa. Sempre devemos analisar a mobilidade articular através de testes passivos e ativos.

Lembre-se durante essa etapa da avaliação que você deve analisar todos os movimentos do quadril, que são:

  • Flexão;
  • Extensão;
  • Adução;
  • Abdução;
  • Rotação interna;
  • Rotação externa.

Os movimentos ativos são aqueles realizados pela própria força do paciente. Durante esses movimentos você perceberá como está seu padrão de ativação muscular, se existe fraqueza ou desequilíbrios na região. A avaliação de movimentos é ótima para descartar hipóteses que criamos nas primeiras etapas.

Só faço um destaque aqui: não avalie somente quadril. Sabemos que o corpo realiza uma variedade de compensações para continuar se movendo. Muitas vezes a ativação muscular errada faz com que o quadril se movimente ao mesmo tempo que gera desvios em outras articulações, como coluna lombar ou joelhos.

Também devemos utilizar os movimentos passivos, que eliminam a influência muscular. Conseguimos determinar se existe comprometimento das estruturas articulares e ósseas nesse momento. Lembrando que uma avaliação elimina a outra.

Exercícios para Avaliação Funcional do Quadril

Gosto sempre de dar ênfase na avaliação funcional. Sempre devemos realizar esse tipo de avaliação porque ela ajuda a relacionar a dor ou patologia à vida do aluno fora do consultório. Durante a avaliação do quadril precisaremos observar os seguintes movimentos:

  • Agachar;
  • Subir e descer escadas;
  • Andar;
  • Correr;
  • Cruzar os joelhos;
  • Gestos esportivos.

Deixar de analisar tais movimentos através de exercícios quer dizer ter uma avaliação incompleta. Você pode até avaliar o aluno durante a aula sem ele saber. Inclua exercícios que correspondam a padrões funcionais de movimento do quadril na aula. Depois é só observar como seu corpo reage a isso. Lembrando que mesmo a dor já que um indicativo de algo na avaliação.

Conclusão

A avaliação do quadril é um momento crucial para qualquer trabalho de reabilitação. Tal articulação possui influência em patologias de membros inferiores, desvios posturais e até parte superior do corpo. Além disso, ela pode possuir diversos desequilíbrios musculares mesmo estando sem dor.

Então, sua avaliação precisa ser completa e funcional. Só saberemos realmente como tratar o aluno depois de descobrir quais são as origens de seus problemas. A única maneira de descobrir isso é investindo numa avaliação completa que não deixa passar sequer um movimento incorreto.  

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