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Aprenda a planejar uma aula de Treinamento Funcional e Pilates em grupo

Tire suas dúvidas para fazer planejamentos de aula com 2 exemplos

Todo mundo sabe que praticar atividade física é essencial para saúde, por isso muita gente começou a praticar exercícios indo a, por exemplo, uma aula de Treinamento Funcional. Os benefícios são inúmeros: melhora o condicionamento físico, o sistema cardiorrespiratório, o sistema vascular, nota-se o aumento da força e também a melhora da mobilidade, entre muitas outras coisas. Mas você consegue saber qual o treinamento ideal para utilizar com o seu aluno?

Pois é, não basta apenas definir que tipo de aula você vai dar, se é Crossfit, Treinamento Funcional, Pilates ou qualquer outra modalidade. O importante é saber que tipo de treinamento você irá utilizar com cada aluno.

Existem vários níveis de condicionamento físico. E você, provavelmente, recebe todo tipo de público nas suas aulas. Então qual seria a maneira ideal de atender as necessidades de todos sem que haja uma diminuição na qualidade do seu atendimento? Falei grego? Vamos tentar pensar juntos.

O ideal mesmo seria trabalharmos com aulas individuais. Mas sabemos que para que isso ocorra, precisaríamos aumentar o valor da aula. E, levando em consideração a situação financeira do país, não teríamos muito público para isso.

Sem contar que se você trabalha sozinho, essa forma de atendimento limitaria seu crescimento. A minha sugestão é sempre ter várias opções para que o aluno possa escolher. São elas: aulas individuais, em duplas ou grupos. Assim, seu espaço agradaria todo tipo de público. Mas, lembre-se que para isso você precisa ter mais professores no Studio.

Outra solução seria formar turmas de acordo com o condicionamento físico e necessidade de cada aluno. Por exemplo, turma de reabilitação de joelho, turma com bom condicionamento físico, turma de iniciante e assim por diante. Mas devido ao tempo escasso das pessoas, fica muito difícil conciliar tudo isso. Mas, confesso que seria ótimo.

Então, pensando em todas essas dificuldades, vamos organizar nossas aulas para que a necessidade de todos seja atendida e a qualidade da aula se mantenha. A seguir faço algumas sugestões. As sugestões serão feitas para aulas em grupos de três a quatro pessoas. Pois acredito que essa seja a realidade da maioria dos Studios. Também falarei sobre uma aula de Treinamento Funcional e outra Pilates porque são os tipos de aula com que eu trabalho.

Avaliação

importância da avaliação na aula de treinamento funcional

Eu acredito que a avaliação é o primeiro passo para você entender qual a real necessidade do seu aluno. Fazer uma avaliação do aluno e mostrar sua evolução nas aulas é de estrema importância para que ele conquiste seus objetivos e fique satisfeito com os resultados alcançados.

Uma maneira simples de começar a avaliar seu aluno é perguntando para ele qual o objetivo dele com a prática. Assim você pode programar as aulas para ele com exercícios específicos.

Por exemplo, vamos pensar em uma pessoa que gosta de correr. Essa pessoa treina corrida toda semana e procurou o Pilates, ou o Treinamento Funcional, ou qualquer outra prática que você tenha no seu espaço para fortalecer, evitar lesões e, portanto, melhorar seu desempenho.

Incluir exercícios específicos em todas as aulas vai motivá-la a continuar. Você não precisa dar somente exercícios específicos para corredores. Pode planejar uma aula global como faz para todos, mas incluir em alguns momentos os exercícios que essa pessoa necessita.

É de extrema importância avisar a pessoa que determinado exercício é para melhorar determinado movimento quando estiver correndo. Assim seu aluno vai perceber seu interesse com os objetivos dele.

Muitas pessoas nos procuram por indicação médica devido a dores e desvios. Avalie seu aluno, descubra as regiões do corpo que precisam de mobilidade e fortalecimento. Muitas vezes as dores e desvios posturais são consequências de encurtamento em algumas musculaturas que não estão diretamente ligadas a dor inicial. Trabalhe o corpo como um todo. Conseguir aliviar as dores de pessoas que sofrem desse mal é muito gratificante.

Uma dica de avaliação é realizar a mesma através de movimentos. Selecione alguns exercícios que você considera que avaliam determinada parte do corpo. Atribua um conceito ou uma nota para a execução do exercício. Por exemplo, vou avaliar a força do Core através do exercício roll up.

Se o aluno conseguir tirar do chão apenas até a região torácica a nota dele será 3. Se ele conseguir sentar, mas precisar levantar as pernas para auxiliar no movimento a nota será 6. Se ele sentar usando a força do core a nota é 9. Assim você estabelece um padrão para avaliar todos os seus clientes. Crie uma lista de exercícios que englobe todo o corpo.

Outra dica que considero importante é nunca avisar o aluno que ele está sendo avaliado. As pessoas tendem a mudar o padrão de movimento quando estão sendo observadas. Afinal quem não quer ter boas notas em uma avaliação?

Faça a avaliação como se estivesse dando uma aula normal. Anote em um papel as “notas” ou “conceitos” que atribuirá para ele. Escreva as observações que achar relevante. Depois mostre a avaliação e o que você acha que pode melhorar. Expor as dificuldades do aluno é importante para ele fazer exercícios com mais consciência. Com a avaliação em mãos fica mais fácil planejar os programas de aula.

Fazer uma reavaliação é importante para você constatar a evolução e, também, para ele perceber que evoluiu.

Estabeleça um período que você acha relevante para refazer o teste, pode ser 3 ou 4 meses, o professor sempre sabe a hora de avaliar. Repita o teste da mesma maneira, ou seja, não conte que ele está sendo avaliado. Atribua as notas ou conceitos para os mesmo exercícios anteriores.

Depois faça um comparativo, especifique onde evoluiu e onde ainda precisa melhorar. Mostre a comparação para ele. Explique a evolução, explique mais ainda os pontos que ainda não melhoraram. Acredite, seu aluno ficará muito seguro com seu trabalho.

Programação da aula

preparação de aula de treinamento funcional

Considero a programação das aulas um dos pontos mais importantes para que o resultado seja atingido. Não digo isso apenas para que você não repita os materiais e os aparelhos, mas para otimizar o tempo e melhorar a qualidade. Sobre planejamento de aula eu já escrevi aqui. Se você tiver dúvidas, basta procurar nos artigos anteriores.

A questão agora é como planejar a aula para que você consiga atender pessoas com objetivos diferentes sem que a qualidade fique prejudicada. Por isso sugiro, novamente, que você escolha um material que será utilizado na maior parte da aula. Assim fica mais fácil adaptar os exercícios para cada aluno.

Você também não precisa, necessariamente, utilizar exercícios diferentes para cada aluno o tempo todo da aula. Você pode trabalhar as necessidades de cada um em uma parte da aula. E, em outro momento, utilizar os mesmos exercícios para todos. Vou usar exemplos para explicar melhor.

Exemplo 1 – aula de Treinamento Funcional

exemplo de aula de treinamento funcional

No exemplo 1 usarei como modelo uma aula de Treinamento Funcional. Vou utilizar como base da aula o método MIT. Então ficaria assim:

Objetivo da aula: trabalhar o fortalecimento do Core no início. As necessidades de cada aluno no meio da aula e terminar com um circuito para entrar em trabalho aeróbico.

Material utilizado: bola para as duas primeiras partes e espaldar, mat e thera-band para o final.

Ficaria assim:

  • Exercícios de fortalecimento de Core para todos os alunos utilizando bola.
  • Aluno 1: exercícios para ativação do glúteo médio = Bola
  • Aluno 2: exercícios para mobilidade de quadril = Bola
  • Aluno 3: exercícios educativos para agachamento = Bola
  • Circuito para todos os alunos utilizando espaldar, faixa elástica, mat

Com esse esquema de aula montado, você terá mais facilidade para se organizar. Aí, basta pensar em quais exercícios irá utilizar em cada parte da aula.

Dessa maneira você conseguirá dar mais atenção para todos os alunos, pois os exercícios específicos se concentrariam apenas em um momento da aula. É claro que se todos os alunos não tiverem o mesmo condicionamento físico, o circuito no final da aula não poderá ser o mesmo para todos. Mas, para isso você pode adaptar alguns exercícios, ou fazer alguns ajustes no tempo do circuito para cada aluno.

O objetivo desse tipo de programa é não escolher materiais e tipos de aulas muito diferentes uns dos outros. Dessa maneira o professor evita ficar andando de um lado para o outro dentro do Studio e consegue dar a devida atenção para cada aluno.

Exemplo 2 – aula de Pilates

exemplo aula de pilates

Para o exemplo 2 vou usar como modelo uma aula de Pilates.

Objetivo da aula: Trabalhar o power house no início. As necessidades específicas no meio e alguns exercícios do repertório dos 34 clássicos para terminar.

Material utilizado: mat para a primeira e a última parte. Aparelhos de Pilates no meio da aula.

Ficaria assim:

  • Exercícios para ativação do power house para todos os alunos = mat pilates
  • Aluno 1: exercícios para mobilidade torácica= barrel
  • Aluno 2: exercícios para estabilidade joelhos = cadilac
  • Aluno 3: exercícios para mobilidade de tornozelo = reformer
  • Alguns exercícios do repertório dos 34 clássicos de Pilates para todos = mat pilates

Assim como no Treinamento Funcional, o planejamento da aula também facilita para que o professor dê mais atenção para cada aluno. Sem prejudicar a qualidade.

Você pode adaptar esse princípio de organização para todas as suas aulas. Independente do tipo de diferença que os alunos tenham entre eles. Mas, quero lembrar que muitas vezes o aluno chega com algum tipo de problema na aula. Seja ele dor, cansaço ou qualquer outra coisa que atrapalhe o desempenho dele.

Você, como professor, tem que estar preparado para mudar toda a programação para essa pessoa. Lembre-se, trabalhamos com um número reduzido de pessoas para que possamos dar a atenção devida para cada um. Por isso, saiba o momento de fazer algumas mudanças necessárias.

Necessidades diferentes

necessidades dos alunos

Falando ainda sobre as mudanças necessárias no planejamento das aulas, abro um tópico para falar apenas sobre isso. Sempre falo que mais importante do que qualquer técnica é entender seu aluno. De nada adianta você ter várias técnicas de trabalho se não souber entender o que o aluno precisa naquele momento. Eu chamo isso de feeling. Se você tem esse feeling, consegue melhorar seu atendimento.

Melhor do que programar uma aula é saber adaptá-la e aplicar a técnica que o aluno necessita na hora certa. Mais uma vez vou recorrer ao exemplo para me expressar melhor.

Vamos supor que você vai dar uma aula de Treinamento Funcional  para quatro pessoas e uma delas chega com muita dor na lombar. Minha sugestão é você manter a programação para os outros três alunos e realizar uma terapia manual nesse aluno com dor. Depois disso realizar alguns exercícios de mobilidade e alívio de dor.

Você pode estar se questionando que os outros alunos ficariam incomodados por você dar mais atenção para uma pessoa. Fique tranquilo. Quando você deixa claro que aquele aluno precisa de um pouco mais de atenção naquele dia e que em outro momento qualquer outro aluno também pode precisar, todos compreendem.

Outra sugestão que faço é para sugerir, para determinadas pessoas, algumas aulas individuais. Sejam essas para melhorar o condicionamento físico antes de ingressar em um grupo, aliviar dores, reabilitar ou qualquer outra coisa que exija uma atenção maior. Mostre sempre que você se preocupa com o bem estar do seu aluno e que está ali para ajuda-lo a melhorar.

Conclusão

Com a demanda de aluno cada vez maior e levando em consideração o número reduzido de professor que cada estúdio possui. É preciso adaptar as aulas para que possamos trabalhar com qualidade levando em consideração as necessidades de cada aluno.

O objetivo desse artigo é que possamos pensar melhor sobre a estrutura das nossas aulas. Já faz um tempo que escrevo sobre isso, pois acredito que cada aula, seja de Pilates ou Treinamento Funcional, precisa de objetivos mais concretos. Às vezes é preciso pensar “fora da casinha”, para poder planejar aulas com mais coerência. E fazer com que o aluno aproveite melhor os benefícios que essas práticas proporcionam.

Se você tem alguma dúvida ou sugestão, pode entrar em contato comigo. Podemos pensar juntos para melhorar sempre a qualidade do atendimento.

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