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Pilates e Atividade Física para Pacientes com Câncer de Próstata

De acordo com o ministério da saúde, um homem morre vítima de câncer de próstata no Brasil a cada 36 minutos. Os dados são alarmantes, especialmente considerando que, de acordo com o INCA, cerca de 90% dos cânceres desse tipo são curáveis quando detectados precocemente.

Isso acontece porque a detecção precoce é extremamente difícil se o indivíduo não realiza exames preventivos. O tumor maligno na próstata é praticamente assintomático nos primeiros estágios. Geralmente, o paciente só descobre que tem o problema quando o câncer já é maior ou se espalhou para outros órgãos.

O que é o câncer de próstata?

Nos estágios iniciais só existem duas formas de identificar o câncer: pelo exame de toque retal, quando é possível perceber a presença de nódulo ou endurecimento da glândula, ou pelo exame PSA, que identifica alterações hormonais.

Após os 40 anos alguns pacientes sofrem aumento da próstata que causa obstrução dos canais urinários. Desses indivíduos, 25% podem ser acometidos pelo câncer, portanto todos que têm o problema estão no grupo de risco e precisam realizar a prevenção mais cedo.

Considera-se o câncer de próstata como uma doença relacionada à idade. As chances de desenvolver câncer de próstata crescerem com o aumento da idade, por isso recomenda-se exames preventivos anualmente após os 50 anos, mesmo para quem não tem histórico familiar da doença.

Tratamento do câncer de próstata

O tratamento do câncer de próstata depende muito do estágio no qual a doença é identificada. Quando o câncer é localizado nos primeiros estágios, ele pode ser completamente removido com uma cirurgia de prostatectomia radical. A sobrevida da cirurgia é alta, sendo de até 90% após 10 anos.

Infelizmente, casos mais avançados e com metástases (quando o câncer se espalha para outras regiões) têm tratamentos somente paliativos. De acordo com o Instituto Oncoguia, a taxa de sobrevida em 5 anos nesses casos é de apenas 29%.

Pacientes cujo câncer já se espalhou pelo corpo podem realizar hormonioterapia e radioterapia. Os tratamentos têm como objetivo diminuir o câncer e proporcionar maior expectativa e qualidade de vida. Porém, na maioria dos casos o tumor volta a se desenvolver em poucos anos. Esses casos também têm maior risco de desenvolver impotência.

Quando a doença é descoberta nos primeiros estágios, ela é tratada principalmente com cirurgia, radioterapia ou ambas as técnicas. Também é possível realizar o tratamento hormonal. A escolha do tratamento é feita pelo médico, que considera a individualidade do caso para escolher o método mais eficaz. Alguns fatores que influenciam são:

  • Idade do paciente;
  • Estado do tumor;
  • Grau histopatológico;
  • Tamanho da próstata;
  • Expectativa de vida do indivíduo;
  • Recursos técnicos e financeiros disponíveis.

Prevenção do câncer de próstata

O câncer de próstata é curável em quase todos os casos de detecção precoce da doença. A forma mais indicada de prevenção é a realização do exame de toque retal e de PSA (exame de sangue) anualmente para homens com mais de 50 anos de idade.

O grande problema com muitos pacientes ainda é o preconceito. Conceitos de masculinidade e a ideia de que a região genital é reservada faz com que muitos homens deixem de fazer o exame. A ideia de que os tratamentos de câncer de próstata possivelmente levem a disfunções eréteis também desestimula o acompanhamento anual.

O exame é essencial para garantir maior sobrevida ao paciente, chances de cura do câncer e diminuição das sequelas do tratamento.

Quanto mais velho for o indivíduo e maior for o tumor, maiores as chances de desenvolver sequelas, como incontinência urinária e disfunções eréteis. Por isso, é essencial trabalhar com a conscientização, seja de nossos pacientes, amigos ou família.

Como a atividade física auxilia o tratamento?

Uma revisão bibliográfica identificou que a atividade física possui efeitos benéficos em diversos aspectos da vida do paciente oncológico. De acordo com o estudo, pacientes que realizaram atividades físicas conseguiram melhorar:

  • Resistência muscular;
  • Resistência aeróbica;
  • Qualidade de vida.

Os pacientes com câncer de próstata fisicamente ativos também tiveram menor fadiga durante o tratamento. Também é possível conseguir melhorias em:

A fadiga é um efeito bastante comum em diversos tipos de tratamentos para câncer de próstata, como radioterapia e tratamento hormonal. Além disso, o paciente passando por esses tratamentos tem uma tendência a perda de massa muscular, algo que parece ser parcialmente controlado pela prática de atividades físicas.

O exercício interfere no sistema nervoso do paciente oncológico e cria desafios para seu corpo e mente. Através da prática, a pessoa consegue motivar-se e criar capacidade para realizar cuidados pessoais e retomar suas atividades de trabalho e lazer.

No mesmo estudo que acabei de mencionar, as atividades físicas realizadas em grupo, como aulas de Pilates e funcional, foram especialmente benéficas. Além de trazerem os resultados de fortalecimento e diminuição da perda de massa muscular, elas também melhoram o bem-estar social do indivíduo.

Conviver com um câncer é um processo difícil tanto para o paciente quanto para a família. Porém, realizar atividades e conjunto, como os exercícios, ajuda a melhorar sua autoestima e percepção de qualidade de vida.

As atividades em grupo também são de mais fácil aderência. Assim, fica mais difícil do homem com câncer de próstata desistir da atividade, mesmo em momentos de maior fadiga por causa do tratamento.

Devemos usar Pilates para pacientes oncológicos?

Certamente. O Pilates é um método de condicionamento físico extremamente eficiente que auxilia no fortalecimento do corpo, manutenção da massa muscular e melhora na resistência física. Ele também possui inúmeros benefícios, como você pode ver no excelente artigo do Blog Pilates.

A prática de Pilates é conhecida por estimular o funcionamento do sistema imunológico. Isso é ótimo para pacientes com câncer de próstata, que têm o sistema comprometido especialmente pela radioterapia e tratamento hormonal.

Além disso, a prática ajuda no fortalecimento da musculatura do corpo e do controle da perda de massa muscular. Através de movimentos funcionais conseguimos reduzir a fadiga nesses pacientes e até auxiliar no controle da depressão, uma das consequências de alguns tipos de tratamento.

Exercícios após o tratamento de câncer de próstata

De acordo com uma revisão bibliográfica realizada na Espanha, boa parte dos pacientes submetidos a tratamentos de câncer de próstata desenvolvem efeitos colaterais. Os principais deles são algum grau de incontinência urinária ou disfunção erétil.

Ambos os efeitos do tratamento são extremamente prejudiciais para a autoestima e qualidade de vida de um paciente que acabou de passar por um evento extremamente traumático. Portanto, devemos auxiliá-lo no tratamento das consequências.

De acordo com a mesma revisão, além de utilizar meios farmacológicos e cirúrgicos para resolver as disfunções, também é possível adotar exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico.  Algumas opções são os exercícios de Kegel, usados na fisioterapia, e o método abdominal hipopressivo.

Esses exercícios promovem o fortalecimento do assoalho pélvico, proporcionando melhor tônus, resistência e força muscular. Também conseguimos utilizá-los para melhorar sua resistência à fadiga e ativação em proporção direta às demandas que a musculatura recebe.

É essencial trabalhar com contrações lentas e rápidas do assoalho pélvico. Essa estrutura possui fibras de tipo I (lentas) e II (rápidas) que exigem trabalho adequado.

Conclusão

Apesar de ser uma grande causa de mortalidade masculina no Brasil, o câncer de próstata tem prevenção. Contanto que ele seja diagnosticado nos estágios iniciais, o tratamento tem grandes chances de cura. Portanto, previna-se! Realize os exames anualmente após os 50 anos e deixe de lado o preconceito.

Nós, profissionais de movimento, temos uma responsabilidade adicional além da conscientização. Também podemos e devemos trabalhar no tratamento durante e após o câncer de próstata.

Durante o tratamento do câncer, os exercícios melhoram significativamente a qualidade de vida do indivíduo e previnem alguns dos piores resultados dos tratamentos.

Após, podemos auxiliar o paciente a recuperar suas funções urinárias através do fortalecimento e ativação do assoalho pélvico. Tudo depende de uma excelente avaliação e conhecimento sobre o tema, mas é possível.

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