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Aprenda tudo sobre abordagem articulação por articulação

Imagem de capa retirada de: https://www.crossfit1827.com/single-post/2017/12/16/Mobility-and-Stability-A-better-love-story-than-Twilight

Imagine o caso: Um jogador de basquete torceu o tornozelo durante um treino e não queria parar de jogar.

Ele fez algo simples que praticamente todo atleta faz: imobilizou o tornozelo com um tensor e voltou à prática.

Algumas semanas depois, esse atleta te visitou no seu espaço de trabalho com dor no joelho. Existe uma maneira de explicar esse caso hipotético usando a abordagem articulação por articulação.

Já sabemos que o corpo deve ser considerado como algo global que realiza compensações para manter seu equilíbrio. Por isso, é importante entender como as articulações se relacionam entre si para formar essas compensações.

Chegou a hora de aprender o que é abordagem articulação por articulação e como isso influencia no seu tratamento. Vem comigo para aprender ainda mais!

Como surgiu a abordagem articulação por articulação?

A abordagem articulação por articulação é um conceito desenvolvido por Gray Cook e Michael Boyle. Ele surgiu primeiramente como uma maneira de avaliar o aluno no Functional Movement Screen (FMS), método usado por Cook para trabalhar com indivíduos fisicamente ativos.

O FMS é uma técnica usada por Cook para conseguir prever e tratar lesões de acordo com desequilíbrios nos padrões funcionais do movimento.

Por acaso você já ouviu falar em padrões de movimento? Se não está lembrando vou deixar meu artigo completo sobre Treinamento Funcional aqui para refrescar sua memória.

Aqui encontramos a primeira semelhança entre a abordagem articulação por articulação e o funcional que usamos em aula. Ainda falando a respeito do FMS, ele trabalha principalmente com as funções do Core, quadril e ombro.

Através de seus sete métodos de avaliação, é identificado quando alguém fisicamente ativo está se expondo a riscos.

Em geral, Cook tenta utilizar a técnica para conseguir reconhecer o risco da prática da atividade física antes que a lesão aconteça. Assim, é possível criar um programa para normalizar os padrões de movimento e monitorar o progresso do aluno usando padrões funcionais.

Mas o que a abordagem joint by joint tem a ver com isso? Basicamente, ela serve para avaliar um indivíduo e encontrar riscos de lesões. Quando a pessoa já está com dor ou lesionada, ela serve para identificar a verdadeira causa.

E podemos utilizá-la da mesma maneira em nossa aula, como mostro no meu curso MIT.

O que é mobilidade e estabilidade?

A abordagem articulação por articulação trabalha com dois conceitos caros para nós no treinamento funcional e na reabilitação como um todo: mobilidade e estabilidade.

Sabemos que uma articulação precisa de uma combinação delicada entre essas duas características. São elas que garantem um movimento funcional e sem compensação.

A mobilidade é basicamente a capacidade de se movimentar dentro dos limites fisiológicos de amplitude de movimento de uma articulação. Mesmo articulações com amplitude relativamente limitada podem ter mobilidade, como a sacroilíaca.

Um exemplo bastante interessante de mobilidade é o quadril. Ele é uma articulação extremamente estável, o que o torna ideal para ser uma articulação móvel. Por isso, o quadril é capaz de se mover praticamente em todos os planos de movimento.

A estabilidade é a habilidade que a articulação tem de se mover sem lesões, algo que muitas articulações no corpo precisam.

E como conseguimos aplicar esses conceitos à abordagem articulação por articulação? Basta pensar em qual é a necessidade primária de cada parte. Nessa abordagem, consideramos que cada articulação está mais preparada para uma certa função que pode estar mobilidade ou estabilidade.

As necessidades primárias podem ser conferidas na tabela abaixo:

Quando as necessidades primárias estão em desequilíbrio a articulação terá problemas. Perceba que essas necessidades alternam entre mobilidade e estabilidade, essa informação será importante mais tarde.

Como avaliar um aluno usando a articulação por articulação?

Um dos principais usos da abordagem articulação por articulação é na avaliação e planejamento da reabilitação ou prevenção. Ao avaliarmos nosso aluno, devemos incluir testes específicos de mobilidade e estabilidade, especialmente para a região dolorida e a articulação diretamente acima e abaixo dela.

No curso MIT ensino meus alunos a trabalharem com uma visão global do corpo usando o conceito de cadeias musculares. Essa abordagem não se afasta dessa ideia, na verdade, serve como um ótimo complemento.

Quando usamos a abordagem joint by joint consideramos que o corpo é uma pilha de articulações interconectadas. Assim, a disfunção que afeta uma delas também gera compensações na articulação diretamente acima e abaixo. Algo bastante interessante é que, em geral, a articulação realmente lesionada não apresenta dor.

Isso acontece porque o corpo realiza compensações em outras articulações exatamente para evitar a dor na lesão original. Quando a outra compensação também começa a trazer problemas, ela começa a apresentar dores que se originaram em outro lugar na cadeia.

Portanto, preciso sempre avaliar cuidadosamente o local da dor, mas dar atenção também a articulação acima e abaixo já que uma delas deve ser a origem.

Como exemplo, vamos analisar rapidamente a dor lombar. É muito comum encontrarmos alunos com dor lombar que, na verdade, têm problema de quadril. O quadril imóvel força mobilidade na lombar que não está preparada para isso e causa dor.

Muitas vezes usar a abordagem articulação por articulação nos dá uma visão mais clara do paciente. Conseguimos entender melhor a origem das disfunções do que analisando somente os padrões de movimento.

Assim como o conceito de cadeias musculares, a ideia de padrões de movimento funcionais é complementada pela abordagem. Por isso, ela torna-se muito relevante para quem trabalha com métodos como Pilates e funcional.

É possível ter uma articulação rígida e instável?

Sim! Ao invés de explicar na teoria, vamos a mais um exemplo prático envolvendo quadril. Essa articulação é muito estável em pessoas saudáveis. Seus ligamentos são potentes e ela possui grandes músculos que a estabilizam e realizam seus movimentos.

Além disso, sua liberdade de movimentação é bastante ampla, acontecendo em diversos planos.

Com frequência encontramos indivíduos com fraqueza nas musculaturas do quadril. Se seus músculos extensores e flexores estiverem fracos, ele causa uma compensação na lombar. Além disso, fraqueza nos abdutores causam estresse no joelho.

A flexão lombar serve para substituir a flexão do quadril. Portanto, vemos aí um caso de perda de mobilidade dessa articulação. Caso os glúteos estejam pouco ativados, surge ainda uma extensão lombar que substitui a extensão do quadril.

Um quadril pouco móvel não faz o uso correto de suas musculaturas. Portanto, ele acaba perdendo também parte de suas estruturas estabilizadores. Em compensação, a lombar move-se cada vez mais para compensar a falta de força e mobilidade do quadril, que se torna cada vez mais rígido.

O resultado é uma articulação que precisa de fortalecimento e mobilidade, apesar de ter sua necessidade primária na mobilidade. Esse ciclo vicioso pode acontecer com diversas articulações e é mais simples de identificar através da abordagem joint by joint.

Conclusão

Lembra do atleta de basquete com dor no joelho no início desse artigo? Depois de entender melhor a abordagem joint by joint já é possível entender o que estava acontecendo com ele.

O tornozelo é uma articulação com necessidade de mobilidade. Resolver sua instabilidade através de um tensor deixou-o rígido, forçando outra articulação a se mover: o joelho.

Infelizmente, o joelho tem necessidade primária de estabilidade e não está pronto para esse grau de estresse e movimento. Eliminar a movimentação do tornozelo fez com que ele sofresse todo o impacto dos saltos e da corrida. Em pouco tempo o atleta acabou com dor.

Algumas vezes ficamos confusos com o funcionamento compensatório do corpo em lesões e patologias. Vemos articulações extremamente instáveis que não causam dor combinados com articulações rígidas dolorosas ou vice e versa.

Qualquer complemento nas avaliações é o suficiente para nos ajudar a determinar um tratamento mais abrangente e eficiente.

Por isso, a abordagem articulação por articulação vem para te ajudar nas aulas e planejamentos. Só é importante saber integrá-la ao seu método de trabalho atual para que ela não cause ainda mais confusões.

Quem já me segue há algum tempo sabe que sou um grande defensor de usar diversas técnicas na mesma aula. Gosto de aplicar desde terapia manual até treinamento funcional e Pilates em meus alunos. Então, não existe motivo para excluir essa abordagem que pode se provar tão benéfica.

Quer aproveitá-la também para entender melhor os movimentos do seu aluno? Então confira meu curso MIT, onde ensino a usar essa abordagem e diversas outras técnicas para aplicar uma avaliação e tratamento realmente inteligentes.

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